O governo oficializou a maior mudança no processo de habilitação em décadas, uma reformulação que atinge diretamente o bolso e o cotidiano de quem precisa da CNH. A regulamentação da nova resolução do Contran reduz etapas, altera modelos de formação e promete derrubar em até 80% o valor total para obter o documento, um custo que chegava perto de R$ 4 mil em muitos estados.
A mudança começa pela teoria, que passa a ser oferecida integralmente em formato digital e sem cobrança. Isso elimina uma barreira histórica para milhões de candidatos que não tinham como pagar por aulas presenciais. O governo aposta que o acesso gratuito amplia o alcance da formação, especialmente entre quem já dirige sem habilitação. O passo seguinte está na prática, que deixa de exigir 20 horas obrigatórias e passa a demandar apenas duas. O candidato poderá treinar com autoescolas, instrutores credenciados ou usar o próprio carro, enquanto etapas como biometria, exame médico e provas seguem sendo realizadas presencialmente no Detran.
O novo aplicativo da CNH é o eixo tecnológico dessa virada. Ele concentra abertura de processo, estudo e acompanhamento, permitindo que a habilitação seja iniciada e conduzida digitalmente. Para quem prefere, o atendimento presencial continua existindo, mas a lógica do sistema mudou.
A Senatran estima que 20 milhões de pessoas dirigem hoje sem habilitação e outras 30 milhões têm idade para obter o documento, mas nunca iniciaram o processo por falta de recursos. Esse é o público que o governo mira ao oferecer um caminho mais simples e financeiramente possível, impulsionado por a redução significativa do custo total para obtenção da habilitação.
Segundo a Agenciabrasil, a reconfiguração do setor também atinge os instrutores autônomos, que passam a ser credenciados e monitorados pelos Detrans, com identificação integrada à Carteira Digital de Trânsito. A proposta busca ampliar a oferta de treinamento sem abrir mão de rastreabilidade.
Na prática, quem esperava há anos para tirar a carteira encontra agora um processo mais curto e financeiramente viável, enquanto o país tenta reduzir a informalidade no trânsito e melhorar a segurança viária.
Se a promessa se concretizar, a nova estrutura de formação pode mudar a relação de uma geração inteira com a mobilidade. Em vez de um sistema caro e rígido, surge um modelo mais aberto, digital e menos proibitivo. Há expectativa de que a ampliação do acesso à formação de condutores em ambiente digital aumente a busca reprimida e crie um cenário mais amplo de regularização no trânsito brasileiro.