O Volkswagen Fusca completa 67 anos de produção no Brasil nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, data que marca o início de sua fabricação nacional em 1959 e celebra o carro que moldou gerações de motoristas. Ícone da industrialização, símbolo de mobilidade popular e primeiro automóvel de muitos brasileiros, o modelo segue vivo na memória afetiva e no acervo histórico da própria Volkswagen.
Poucos carros atravessaram tantas décadas com o mesmo peso cultural. O Fusca não foi apenas um produto de sucesso, foi parte do cotidiano do país, das estradas de terra às grandes avenidas, dos tempos de inflação aos anos de estabilidade. Quando a fábrica de São Bernardo do Campo iniciou sua produção, em 20 de janeiro de 1959, nascia ali um dos pilares da indústria automobilística brasileira.
Dentro da Garagem Volkswagen, o acervo que preserva a história da marca no Brasil, três exemplares resumem o fim e o renascimento do modelo. O primeiro é um Fusca da última série, na cor vermelha, fabricado em maio de 1986 e retirado diretamente da linha para ser guardado como testemunho do encerramento da produção regular.
Outro é um raríssimo Fusca Cabriolet de 1996, uma das apenas quatro unidades feitas nessa configuração no país. Mas o mais simbólico é o chamado Fusca Itamar, produzido em 1993, que marcou a retomada do modelo por incentivo do então presidente Itamar Franco, que chegou a desfilar com o carro ao visitar a fábrica da Volkswagen em São Bernardo.
A volta do Fusca nos anos 1990 não foi simples. Parte do maquinário havia sido vendida, desenhos estavam arquivados em pranchetas e processos precisaram ser reaprendidos. Engenheiros e operários aposentados foram chamados de volta para ensinar como alinhar chapas, ajustar ferramentas e montar, quase artesanalmente, um projeto que já parecia pertencer ao passado.
Mesmo já ultrapassado diante de Gol, Voyage, Parati e Saveiro, o Fusca ainda tinha público fiel na metade dos anos 1980. O modelo de 1986 representou o auge técnico possível dentro de um projeto concebido décadas antes.
O exemplar preservado no acervo já utilizava etanol e trazia o clássico tanque de partida a frio, com botão à esquerda do painel para injeção manual de gasolina, solução comum antes da injeção eletrônica.
Quando voltou às concessionárias em 1993, o Fusca encontrou um público saudosista e uma fila de cerca de 13 mil pedidos. Visualmente, o Itamar ganhou pára-choques metálicos pintados na cor do carro, com grandes borrachões, pneus radiais, frisos laterais e faróis duplos. Por dentro, o cinza dominava o ambiente, com painel redesenhado e volante da geração 1990 do Gol.
Mecanicamente, manteve o tradicional boxer 1600, agora com 57 cv, catalisador, sistema elétrico reforçado e melhorias em ignição, mas sem a injeção eletrônica que o Fusca mexicano já oferecia até 2003.
| Marco | Ano | Destaque |
|---|---|---|
| Início da produção no Brasil | 1959 | Fábrica de São Bernardo do Campo |
| Última série regular | 1986 | Encerramento da produção contínua |
| Retomada – Fusca Itamar | 1993 | Incentivo presidencial e fila de espera |
| Série Ouro | 1996 | 1.500 unidades marcando a despedida |
A Série Ouro, limitada a 1.500 carros, representou o último suspiro do Fusca no mercado brasileiro. Um adeus definitivo para um modelo que já não atendia às normas modernas de emissões e segurança, mas que seguia imbatível no coração de quem aprendeu a dirigir em seu volante fino e posição de dirigir vertical.
Um símbolo que virou patrimônio
Mais do que números ou fichas técnicas, o Fusca é memória coletiva. Está nas viagens em família, como revela o Vwnews, nos primeiros empregos, nos encontros de clubes e nas garagens que hoje guardam, com carinho, exemplares que atravessaram gerações. Celebrar o Dia Nacional do Fusca é lembrar que, antes dos SUVs, dos elétricos e da conectividade, houve um carro simples que colocou o Brasil sobre quatro rodas.