A mudança da antiga Carteira Digital de Trânsito para o novo aplicativo CNH do Brasil não passou despercebida. Anunciada amplamente pelo governo federal, ela inaugura uma revisão profunda do processo de habilitação, com impacto direto tanto em quem já dirige quanto em quem tenta obter a carteira. A atualização chega automaticamente aos celulares e se apoia em um objetivo claro: reduzir de forma significativa o custo total da habilitação, que pode chegar a R$ 5 mil.
Com a mudança, o app ganha nova identidade visual, navegação reorganizada e desempenho mais ágil. Não há necessidade de reinstalar nada, e os documentos digitais continuam válidos. O governo aposta na centralização dos serviços para tornar o cotidiano mais eficiente, reunindo em um único lugar a consulta integrada de CNH, CRLV, multas, pontos e informações de licenciamento.
A transformação mais estrutural aparece na porta de entrada para quem ainda não possui habilitação. Pela primeira vez, todo o processo poderá ser iniciado pelo aplicativo ou pelo site do Ministério dos Transportes. A Jornada da Primeira Habilitação digitaliza etapas que antes dependiam de atendimentos presenciais e, junto dela, nasce outra mudança sensível: o curso teórico passa a ser gratuito, oferecido pelo governo e acessível pelo celular. O material segue as normas do Código de Trânsito e permite que o candidato organize seus estudos com independência.
As aulas práticas também foram redesenhadas. A carga mínima obrigatória cai de 20 horas para apenas duas, e todo o restante se torna opcional, conforme a necessidade do candidato. Ele poderá treinar com autoescolas, instrutores autônomos credenciados ou até usar seu próprio veículo dentro das regras estaduais. O pacote abre espaço para uma queda significativa no custo final e reforça a meta de reduzir em até 80% o valor total da primeira habilitação.
Para motoristas já habilitados, as mudanças atendem a um pedido antigo. A reorganização dos menus facilita o uso cotidiano e torna o aplicativo mais responsivo. A expectativa divulgada pelo governo é de que a nova interface ofereça acesso mais rápido aos documentos e aos serviços de trânsito, diminuindo o tempo de consulta em situações de rotina.
A resolução do Contran que sustenta o programa foi aprovada por unanimidade e responde a um cenário preocupante. O país convive hoje com um contingente de 20 milhões de brasileiros que dirigem sem carteira e outros 30 milhões em idade para ter CNH, mas que nunca conseguiram pagar pelos custos envolvidos. O governo tenta, com digitalização, flexibilização e redução de exigências, trazer parte desse público para a formalidade.
A adoção do CNH do Brasil como plataforma centraliza um sistema historicamente fragmentado e indica uma guinada na política de trânsito. A experiência do usuário ainda dependerá da adaptação dos Detrans e da velocidade de atualização dos serviços, mas o movimento marca a tentativa mais ambiciosa de modernização da carteira de motorista desde sua criação, agora em um ambiente totalmente digital e amplamente comunicado ao país.