A Petrobras ainda não decidiu se vai reajustar os preços da gasolina e do diesel no Brasil, mesmo com o petróleo internacional avançando para níveis próximos aos maiores valores em quase dois anos. A avaliação foi apresentada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados financeiros.
A executiva afirmou que o cenário internacional está marcado por forte instabilidade, principalmente por causa da escalada de tensões no Oriente Médio, uma das regiões mais importantes para a produção mundial de petróleo. Ainda assim, a estatal prefere observar o comportamento do mercado antes de tomar qualquer decisão sobre preços.
“A volatilidade está exacerbada. Mas nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno.”
A guerra na região elevou o preço do barril de petróleo para patamares que não eram vistos desde 2023. No mercado internacional, contratos do tipo Brent chegaram a ser negociados acima de US$ 88, enquanto o WTI superou os US$ 85, refletindo o temor de interrupções no fornecimento global.
O conflito ocorre em uma área estratégica para o abastecimento mundial de energia. Países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar estão entre os maiores produtores globais.
Outro fator sensível é o Estreito de Ormuz, na costa iraniana, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Qualquer risco de interrupção nessa rota provoca reação imediata nos preços internacionais.
Esse movimento já começa a criar uma diferença entre o valor do petróleo no exterior e os preços praticados no mercado brasileiro.
Segundo cálculo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a defasagem indicaria a necessidade de aumento de cerca de R$ 0,29 por litro da gasolina vendida nas refinarias da Petrobras.
Mesmo com o cenário volátil, a presidente da estatal afirmou que a companhia tem estrutura financeira para operar em diferentes níveis de preço do petróleo, revelou o UOL.
“Se o barril estiver a US$ 85, estamos preparados. Se estiver a US$ 55, também precisamos estar preparados.”
A empresa afirma que acompanha o mercado internacional diariamente e que decisões sobre preços dependem da intensidade e da duração da volatilidade.
Segundo executivos da companhia, mudanças rápidas no mercado poderiam exigir respostas mais ágeis. Até agora, porém, a Petrobras afirma não trabalhar com premissas que indiquem reajuste imediato.
O diretor de logística, comercialização e mercados da companhia, Claudio Schlosser, afirmou que a empresa monitora as condições globais de fornecimento e pode ajustar rotas de exportação ou importação caso o cenário internacional piore.
As refinarias brasileiras também utilizam petróleo importado em parte de suas operações, o que torna o acompanhamento do mercado internacional ainda mais importante.
Apesar da instabilidade no mercado internacional, os resultados financeiros da companhia em 2025 vieram fortes. O lucro atingiu R$ 110,1 bilhões no ano, valor cerca de 200% superior ao registrado em 2024.
No quarto trimestre, o resultado ficou em R$ 15,5 bilhões, queda em relação ao trimestre anterior, mas ainda dentro das expectativas do mercado.
A produção total de óleo e gás natural chegou a 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 11% na comparação anual e novo recorde da companhia.
Enquanto investidores observam o avanço das cotações do petróleo e a escalada da guerra no Oriente Médio, o mercado de combustíveis no Brasil segue aguardando o próximo movimento da Petrobras, que continua avaliando o cenário internacional antes de qualquer decisão sobre reajuste.