O Detran de São Paulo retirou a baliza do exame prático da CNH e passou a permitir a prova em carros automáticos, mudando o formato do teste a partir de 26 de janeiro de 2026 e alinhando a avaliação ao trânsito real das cidades.
A decisão, anunciada nesta segunda-feira, marca uma virada simbólica e prática no processo de habilitação. Pela primeira vez em décadas, o candidato deixa de ser reprovado por errar uma manobra milimétrica em vaga delimitada por cones e passa a ser julgado pelo que realmente importa: como dirige no fluxo, como reage a cruzamentos, como respeita pedestres, como controla o carro em subidas, descidas e conversões apertadas. Na prática, a prova deixa de ser um “ritual de baliza” e vira um teste de convivência com o trânsito.
A mudança não fica restrita a São Paulo. Outros estados já confirmaram a adoção do novo modelo, que dispensa a manobra e aceita veículos com câmbio automático no exame, ampliando o acesso para quem nunca dirigiu carro manual e para pessoas com dificuldades de coordenação em embreagem.
No novo formato, o examinador acompanha o candidato por um trajeto pré-definido e observa situações que qualquer motorista enfrenta no dia a dia: arrancadas em semáforo, respeito à faixa de pedestres, leitura de placas, uso correto de retrovisores, tomada de decisão em cruzamentos e controle do veículo em vias estreitas. A ideia é simples: quem consegue circular com segurança no trânsito está apto, mesmo que nunca tenha estacionado entre dois cones.
| Estado | Órgão | Mudança confirmada |
|---|---|---|
| São Paulo | Detran-SP | Sem baliza e com carro automático |
| Amazonas | Detran-AM | Sem baliza e com carro automático |
| Espírito Santo | Detran-ES | Sem baliza e com carro automático |
| Mato Grosso do Sul | Detran-MS | Sem baliza e com carro automático |
Para quem está tirando a primeira habilitação, o impacto é imediato. A baliza sempre foi apontada como o maior fator de reprovação e de ansiedade. Não porque estacionar seja irrelevante, mas porque o modelo do teste, engessado e artificial, pouco tinha a ver com a realidade das ruas. O resultado era um filtro que eliminava candidatos tecnicamente capazes de dirigir, mas inseguros em uma situação extremamente específica.
A liberação do câmbio automático reflete uma transformação clara da frota brasileira. Em grandes cidades, modelos automáticos já dominam vendas, aplicativos de transporte e locadoras. Obrigar o aluno a aprender e ser avaliado apenas em carro manual soava cada vez mais desconectado do que ele vai encontrar depois que recebe a habilitação.
Na prática, isso também reduz custo e tempo de formação. Muitas autoescolas já possuem veículos automáticos e agora podem usá-los legalmente na prova. Para o candidato, significa menos etapas, menos reprovações por erro de embreagem e uma adaptação mais direta ao tipo de carro que provavelmente irá dirigir no dia seguinte à aprovação.
Conclusão prática: o foco sai da manobra decorada e vai para a condução segura no trânsito real.
A mudança não significa que estacionar deixou de ser importante, mas que a lógica da avaliação foi invertida. Em vez de começar pelo detalhe técnico, o sistema passa a olhar o conjunto: atenção, leitura de cenário, respeito às regras e controle emocional ao volante. É um passo que aproxima o exame da vida como ela é, com trânsito pesado, cruzamentos confusos e decisões rápidas, e afasta a CNH do velho estigma de prova teatral, distante da rua e da experiência cotidiana de quem dirige.