O motorista do caminhão afirmou à polícia que havia parado no acostamento por falha mecânica e sinalizado a pista antes da colisão que matou Hecton Alves, preparador físico do sub-20 do Águia de Marabá, na BR-153, em 15 de janeiro de 2026, no interior do Tocantins.
O depoimento foi prestado na madrugada do dia 16, na 11ª Central de Atendimento da Polícia Civil, em Porto Nacional. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO), o caminhoneiro compareceu espontaneamente e relatou que o veículo apresentava defeito, obrigando a parada fora da faixa de rolamento. Ele sustenta que colocou a sinalização de advertência antes do impacto com o ônibus que transportava a delegação do clube paraense.
A versão do condutor contrasta com o que informou oficialmente o Águia de Marabá. Em nota divulgada horas depois do acidente, o clube declarou que o caminhão estava imobilizado na pista e sem qualquer tipo de aviso visível, circunstância que teria provocado a batida durante o deslocamento de retorno da equipe sub-20, eliminada na segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades. Peritos estiveram no local ainda durante a madrugada para analisar marcas de frenagem, posição dos veículos e condições de visibilidade da rodovia no trecho de Santa Rita do Tocantins. Tanto o motorista do caminhão quanto o condutor do ônibus vão responder em liberdade enquanto as diligências avançam.
O corpo de Hecton Alves foi encaminhado inicialmente ao Instituto de Medicina Legal de Porto Nacional e, por questões logísticas, transferido para o IML de Palmas, onde aguarda a chegada de familiares para identificação formal e liberação.
A tragédia atingiu em cheio um grupo em formação. O ônibus levava atletas e comissão técnica de volta a Marabá após a eliminação nos pênaltis para o Juventude. Além da morte do preparador físico, o técnico Ronan Teyzer ficou gravemente ferido e foi hospitalizado.
Clubes de diferentes regiões do país usaram as redes sociais para prestar solidariedade. A perda de um profissional jovem, em meio a uma competição que simboliza o início de carreira para centenas de atletas, transformou a viagem de retorno em luto e silêncio.
“Hecton Alves era parte essencial do dia a dia do grupo. Sua ausência deixa um vazio humano e profissional impossível de medir neste momento.”
Enquanto a investigação técnica busca esclarecer o que realmente ocorreu na pista, duas narrativas se enfrentam: a do caminhoneiro, que garante ter sinalizado corretamente, e a do clube, que afirma não haver qualquer advertência visível. A resposta final virá da perícia e dos laudos oficiais, que devem indicar se a sinalização existia, se estava em posição adequada e se o tempo de reação dos motoristas foi compatível com as condições da rodovia.