A queda no custo para tirar a CNH começou antes mesmo da publicação oficial das novas regras no Diário Oficial da União. Em várias cidades, CFCs reduziram valores e já oferecem o processo completo por cerca de R$ 1.100, antecipando mudanças que devem redesenhar a formação de condutores no país.
Os dados da Senatran mostram que hoje o custo total pode chegar a R$ 5 mil, considerando autoescola, exames e taxas estaduais. A expectativa de flexibilização, com redução das aulas práticas obrigatórias de 20 horas para 2 horas e a possibilidade de tirar a habilitação sem autoescola, já pressiona o mercado. Onde há concorrência direta, qualquer sinal de mudança mexe no preço rapidamente, e foi exatamente isso que aconteceu.
A proposta do Governo Federal altera o item mais caro da formação: as aulas práticas. Sem a obrigatoriedade da autoescola, o candidato passa a ter liberdade para definir como vai se preparar, e isso derruba grande parte do custo. Estimativas do Ministério dos Transportes apontam que a redução pode chegar a 80%. Para quem busca a categoria B, é uma mudança estrutural, já que apenas o pacote do CFC costuma superar R$ 2 mil.
As taxas dos Detrans continuam variando entre estados, mantendo diferenças regionais importantes. Em Pernambuco, o exame médico e o psicotécnico somam R$ 475. Em São Paulo, o exame médico custa R$ 122,17 e a avaliação psicológica sai por R$ 142,53. Esses valores permanecem ativos independentemente das alterações no processo.
O Congresso restabeleceu a exigência do exame toxicológico para quem busca a primeira CNH nas categorias A e B. Antes restrito às categorias profissionais, ele passa a valer também para motociclistas e motoristas de carro de passeio.
O exame é do tipo “larga janela de detecção”, identificando uso de substâncias psicoativas por meio de amostras de cabelo, pelos ou unhas, com alcance aproximado de 90 dias. O custo atual varia conforme o laboratório, normalmente entre R$ 100 e R$ 160. Clínicas de aptidão física e mental podem funcionar como pontos de coleta, desde que vinculadas a laboratórios credenciados pela Senatran.
Na prática, a exigência adiciona um custo fixo ao processo e cria uma etapa extra de validação. Mesmo com a redução das aulas práticas e a desobrigação da autoescola, o candidato continua dependente de exame médico, psicológico e, agora, do toxicológico para avançar.
A queda dos preços reportada pela CNN indica um mercado que já se ajusta ao novo cenário. Uma CNH por R$ 1.100 recoloca o documento em uma faixa mais acessível, especialmente em regiões onde o processo ultrapassava R$ 4 mil. A competição entre CFCs tende a aumentar, principalmente quando as regras forem oficializadas.
Para quem depende da habilitação para trabalhar ou busca mobilidade básica, o efeito é imediato. A carga financeira diminui, o tempo para concluir o processo reduz, e a burocracia deve ficar menor. Para o setor de formação, o desafio agora é se posicionar em um mercado que deixa de ser obrigatório e passa a operar puramente por valor percebido.