A NASA confirma: Existe um ser na Terra que sobreviveria ao Apocalipse

Tardígrados atraem investimentos e pesquisas estratégicas ao provar que sobrevivem ao espaço e à radiação, abrindo caminho para avanços em saúde, agricultura e tecnologia espacial.
Publicado por em Ciência dia | Atualizado em
A NASA confirma: Existe um ser na Terra que sobreviveria ao Apocalipse

Tardígrados deixaram de ser curiosidade científica e passaram a integrar pesquisas com potencial econômico em biotecnologia, saúde, agricultura e exploração espacial, áreas que movimentam bilhões de dólares em investimento público e privado.

A resistência extrema desse microanimal a radiação, desidratação e vácuo do espaço colocou seus mecanismos biológicos no radar de universidades, agências espaciais e empresas que buscam reduzir custos, ampliar eficiência e criar novas soluções tecnológicas.

Para sobreviver ao ‘apocalipse’, o Tardígrado entra em um estado chamado ‘Tun’. Ele expulsa quase toda a água do corpo, encolhe e desliga seu metabolismo. Nesse estado, ele vira praticamente uma semente indestrutível, podendo aguentar temperaturas de -272°C até 150°C, e pressões maiores que as do fundo da Fossa das Marianas.

O que aconteceu e por que isso importa economicamente

Nas últimas duas décadas, experimentos conduzidos por agências espaciais e centros de pesquisa confirmaram que tardígrados sobrevivem ao vácuo do espaço e retomam funções vitais após reidratação. A validação científica abriu caminho para pesquisas aplicadas, transformando um organismo microscópico em referência para inovação.

O ponto central não é o animal em si, mas suas proteínas protetoras e mecanismos de reparo celular. Eles oferecem uma resposta a um problema recorrente em vários setores, como preservar células, tecidos e materiais biológicos sem depender de cadeias caras de refrigeração ou infraestrutura complexa.

Impacto em setores e mercados

O primeiro impacto direto aparece na biotecnologia. Laboratórios testam proteínas inspiradas nos tardígrados para conservação de vacinas e medicamentos sensíveis. Em um mercado global de vacinas avaliado em centenas de bilhões de dólares, qualquer ganho logístico reduz custos e amplia acesso.

Na medicina, há interesse em aplicar esses mecanismos na preservação de órgãos para transplante. O aumento do tempo de viabilidade de um órgão reduz perdas, amplia o raio logístico e pode alterar a dinâmica de oferta em sistemas públicos e privados de saúde.

Na agricultura, empresas de biotecnologia estudam genes associados à tolerância à seca para culturas agrícolas. Em um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos, plantas mais resistentes reduzem risco operacional e protegem margens de produtores.

Pesquisa espacial como catalisador estratégico

O setor espacial funciona como acelerador dessas pesquisas. Missões de longa duração exigem soluções para armazenamento de alimentos, células e organismos em condições extremas. Tardígrados viraram modelo para entender os limites da vida fora da Terra.

Agências como NASA e ESA financiam estudos que conectam resistência biológica a estratégias de exploração espacial. Embora os tardígrados não sejam usados diretamente em missões, os princípios extraídos orientam desenvolvimento tecnológico com aplicações terrestres.

O que as empresas estão tentando capturar

O interesse corporativo não está em criar produtos baseados no animal, mas em isolar e reproduzir seus mecanismos em escala industrial. O ativo real são proteínas, genes e processos que podem ser patenteados.

  • Redução de custos em cadeia fria e armazenamento.
  • Aumento de eficiência em conservação biológica.
  • Mitigação de risco climático e logístico.
  • Aplicações cruzadas entre saúde, agro e espaço.

Riscos, limites e próximos movimentos

Apesar do potencial, a maioria das aplicações permanece em fase experimental. A transferência de mecanismos do tardígrado para outros organismos é complexa e enfrenta barreiras regulatórias, especialmente em saúde e agricultura.

Outro risco é o prazo. Pesquisas podem levar anos até gerar produtos comercialmente viáveis, o que exige capital paciente e financiamento público contínuo.

O próximo movimento esperado é a ampliação de parcerias entre universidades, agências espaciais e empresas de biotecnologia. O foco está menos em descobertas disruptivas imediatas e mais em ganhos incrementais que, somados, podem alterar estruturas de custo em setores estratégicos.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.