Chimpanzés ficaram fascinados por cristais em experimento científico, e isso pode explicar uma curiosidade antiga do comportamento humano
O fascínio humano por cristais acompanha a história das civilizações. Esses minerais já foram usados como objetos decorativos, símbolos religiosos e peças de valor em culturas antigas da China, Egito, Roma e América Central. Um novo estudo sugere que essa atração pode ter raízes evolutivas mais profundas do que se imaginava.
Pesquisadores observaram que chimpanzés também demonstram grande interesse por cristais de quartzo. O experimento buscou entender se o encantamento humano por esses minerais poderia ter origem em comportamentos compartilhados com nossos parentes evolutivos mais próximos.
O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Psychology.
O experimento com os chimpanzés
A pesquisa foi conduzida em um centro de resgate de primatas próximo a Madri, na Espanha. Os cientistas entregaram cristais de quartzo a grupos de chimpanzés para observar como eles reagiriam ao objeto.
Os animais manipularam os cristais com atenção, girando, examinando e levantando as pedras diante da luz. Em vários casos, demonstraram interesse prolongado pelo material.
Alguns chimpanzés chegaram a se recusar a devolver os cristais ao final do experimento.
- Animais seguravam e examinavam os cristais por longos períodos
- Alguns levavam as pedras para outras áreas do viveiro
- Os pesquisadores precisaram negociar para recuperar os objetos
Segundo o relato dos cientistas, em alguns casos os primatas só devolveram os cristais após receberem recompensas como banana e iogurte.
O teste chamado de monólito
Um dos experimentos recebeu o apelido de monólito, em referência ao filme 2001: Uma Odisseia no Espaço.
Nesse teste, dois objetos foram colocados em pedestais dentro do viveiro.
- Um cristal de quartzo transparente
- Uma pedra comum de tamanho semelhante
Inicialmente os chimpanzés demonstraram curiosidade pelos dois objetos. Com o passar do tempo, porém, a atenção dos animais se concentrou no cristal.
Um chimpanzé chamado Yvan, de cerca de 50 anos, pegou o cristal e continuou carregando o objeto enquanto escalava estruturas do viveiro e até enquanto comia.
Outro caso ocorreu em um segundo grupo de primatas, onde uma fêmea chamada Sandy levou o cristal para o dormitório do grupo e o manteve por vários dias.
O interesse vai além da curiosidade
Os cientistas também realizaram um segundo experimento para verificar se os chimpanzés seriam capazes de identificar pequenos cristais misturados a outras pedras.
Os primatas encontraram rapidamente os fragmentos de quartzo e voltaram a examiná-los com atenção.
Durante a observação, os animais frequentemente levantavam os cristais em direção à luz do sol para analisar a superfície brilhante. Em um caso, uma chimpanzé chegou a esconder pequenas pedras na boca.
Os pesquisadores apontam que duas características parecem ter despertado maior interesse nos animais.
- Transparência do material
- Formato geométrico incomum
Cristais são objetos raros na natureza por apresentarem faces planas e estrutura regular, algo incomum em ambientes naturais.
Uma pista sobre o comportamento humano
Registros arqueológicos mostram que hominídeos já coletavam cristais há cerca de 780 mil anos.
Esses minerais não eram usados como ferramentas nem transformados em objetos utilitários, o que sugere que o interesse por eles pode ter sido motivado apenas por sua aparência.
O estudo levanta a hipótese de que a atração humana por cristais pode ter origens muito antigas na evolução dos primatas.
Segundo os pesquisadores, a sensibilidade a objetos brilhantes e geométricos pode ter raízes evolutivas profundas.
Nem todos os cientistas concordam
Apesar do comportamento observado, alguns especialistas defendem cautela ao interpretar os resultados.
O arqueólogo Michael Haslam afirmou que o estudo demonstra claramente que chimpanzés se interessam por cristais, mas que ainda não é possível afirmar qual seria exatamente a motivação desse comportamento.
Segundo ele, identificar as razões da atração pelos minerais e relacioná-las diretamente ao comportamento dos primeiros hominídeos pode ser um passo além do que as evidências atuais permitem.
Enquanto novas pesquisas tentam esclarecer essa questão, o experimento sugere que o encantamento por objetos brilhantes pode não ser exclusivo dos humanos e talvez tenha surgido muito antes das primeiras civilizações.














