Lançamento Artemis 2 é adiado pela NASA para março e marca retorno humano ao entorno da Lua após 50 anos
A contagem regressiva para o retorno de humanos ao entorno da Lua ganhou um novo marco concreto quando a Nasa confirmou o adiamento do lançamento da missão Artemis 2, inicialmente previsto para fevereiro, agora reposicionado para março, após a identificação de um vazamento de combustível durante testes recentes do sistema de lançamento.
O voo será realizado com o foguete SLS e a cápsula Orion, ambos posicionados no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e representa a primeira missão tripulada além da órbita terrestre desde dezembro de 1972, quando a Apollo 17 encerrou a era dos pousos lunares. A Artemis 2 não prevê descida ao solo, mas levará quatro astronautas a uma órbita ao redor da Lua em uma jornada estimada em cerca de dez dias.
A nova janela de lançamento começa em 6 de março e inclui ainda os dias 7, 8, 9 e 11. Caso nenhuma dessas datas se confirme, o cronograma já prevê alternativas em abril, nos dias 1º, de 3 a 6 e também no dia 30, evidenciando a margem apertada com que a agência espacial trabalha nesta fase do programa.

A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. O grupo entra para a história por múltiplos motivos: será o primeiro a deixar a órbita terrestre neste século e o primeiro voo lunar a reunir uma mulher, um astronauta negro e um integrante que não é cidadão dos Estados Unidos. Hansen, canadense, simboliza o caráter internacional que a Nasa tenta imprimir à nova etapa da exploração lunar.
O SLS, descrito pela própria agência como o foguete mais poderoso já construído, carrega um legado técnico que remonta aos ônibus espaciais. Parte de sua tecnologia tem raízes nos anos 1970, enquanto o projeto atual começou a tomar forma nos anos 2000, uma combinação que expõe tanto a experiência acumulada quanto as limitações de um programa que levou décadas para sair do papel. O vazamento de combustível, identificado desde a missão Artemis 1, segue como um dos principais desafios a serem superados antes da decolagem.
A cápsula Orion, por sua vez, foi projetada para suportar viagens de longa duração no espaço profundo e já passou por testes não tripulados. Durante treinamentos realizados em Houston, em janeiro de 2025, os astronautas praticaram desde a configuração da nave em órbita até os procedimentos para torná-la habitável e a preparação para o retorno da Lua, incluindo o uso dos trajes espaciais em condições simuladas.
A Artemis 2 também carrega um peso simbólico ao retomar uma rota que ficou interrompida por mais de meio século. Entre 1968 e 1972, nove missões tripuladas levaram humanos ao entorno da Lua, seis delas com pousos no solo, todas conduzidas pelos Estados Unidos. Desde então, nenhum ser humano voltou a observar de perto a superfície lunar, apesar dos avanços tecnológicos em diversas áreas.
A decisão de não realizar um pouso nesta missão reflete uma estratégia gradual da Nasa, que busca validar sistemas e procedimentos antes de avançar para etapas mais complexas. O sucesso da Artemis 2 é considerado fundamental para as missões seguintes, que devem incluir a descida ao solo e a instalação de uma presença humana mais duradoura no satélite natural.
Enquanto técnicos seguem trabalhando para eliminar o vazamento de combustível e ajustar os sistemas finais do SLS, a agência mantém o olhar voltado para março, ciente de que cada adiamento pressiona prazos e expectativas, mas também de que qualquer falha em um voo tripulado teria consequências muito maiores do que mais algumas semanas de espera.














