A NASA enviou quatro chips com células vivas da medula óssea de astronautas da missão Artemis 2 para a órbita lunar, criando “clones biológicos” capazes de revelar, em tempo real, os impactos da radiação no corpo humano.
Durante a missão, os dispositivos foram transportados dentro da cápsula Orion enquanto os astronautas orbitavam a Lua, funcionando como versões microscópicas da tripulação. Cada chip contém células coletadas meses antes do lançamento, representando individualmente Victor Glover, Jeremy Hansen, Christina Koch e Reid Wiseman.
O experimento faz parte do programa Avatar, que utiliza tecnologia de órgão em chip para simular tecidos humanos reais em ambiente espacial. Diferente de modelos digitais, esses dispositivos usam células vivas cultivadas em microcanais que imitam o funcionamento do corpo humano.
Na prática, isso permite observar alterações celulares e genéticas provocadas pela radiação sem expor diretamente os astronautas ao risco imediato. O sistema funciona como um alerta antecipado, mostrando danos antes que eles se manifestem no organismo real.
Ao deixar o campo magnético da Terra, a tripulação fica exposta a raios cósmicos galácticos e partículas solares altamente energéticas. Na Lua, o risco aumenta com a radiação de albedo, que rebate no solo e atinge o corpo novamente.
A medula óssea foi escolhida por ser extremamente sensível a esse tipo de exposição. Danos nessa região podem afetar a produção de células sanguíneas e aumentar o risco de doenças graves.
Os chips funcionam como ferramentas para antecipar problemas de saúde e guiar decisões médicas futuras. Se forem detectadas alterações críticas, a agência poderá agir antes que os efeitos apareçam nos astronautas.
Após o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico, os chips serão enviados para análise detalhada em Boston. Os cientistas irão comparar os resultados com amostras idênticas que permaneceram na Terra.
O foco será identificar danos no DNA e alterações nos telômeros, estruturas ligadas ao envelhecimento celular. Essa comparação permitirá entender com precisão o impacto do ambiente lunar no organismo humano.
Se os resultados forem positivos, a NASA pretende avançar para sistemas mais complexos, conectando múltiplos órgãos em um único chip. A ideia é simular um corpo humano completo antes de missões mais longas, como uma viagem a Marte, revelou o Washingtonpost.
Esse avanço pode reduzir riscos, eliminar testes em animais e transformar a forma como a medicina espacial é conduzida. A tecnologia abre caminho para missões mais seguras e previsíveis fora da Terra.