Um vídeo que circula nas redes sociais e sugere que Ana Castela teria soltado gases durante uma apresentação virou piada e reacendeu um tabu antigo, o constrangimento em torno da flatulência, algo que também aparece no cotidiano de quem passa horas no carro, preso no trânsito. Do ponto de vista da saúde, soltar gases é um processo fisiológico normal, independentemente de gênero, e acontece inclusive ao volante, um adulto saudável elimina em média cerca de 1,5 litro de gases por dia, boa parte durante o sono, e o esperado é que isso ocorra entre 10 e 20 vezes ao dia, fora do palco e longe dos holofotes.
Dirigir com gases presos é mais comum do que se admite e afeta conforto, concentração e até humor ao volante, sobretudo em congestionamentos e viagens longas. O corpo não desliga porque o motorista entrou no carro, e ignorar isso costuma transformar minutos parados no trânsito em desconforto prolongado.
A flatulência é parte do funcionamento do organismo e aparece justamente quando o cenário ajuda, posição sentada por muito tempo, estresse, alimentação apressada e cabine fechada. No carro, tudo isso se soma. O resultado não é só o cheiro, é a dor abdominal, a sensação de inchaço e a perda de foco, algo que quem dirige diariamente reconhece na prática.
Passar horas sentado atrapalha o movimento natural do intestino. Some a isso o trânsito travado, o ar-condicionado em recirculação e a pressa para comer antes de sair. O corpo responde como sempre respondeu, produzindo gases. O erro é achar que segurar resolve.
Além do desconforto físico, há o fator psicológico. O medo do constrangimento faz muita gente prender gases por tempo demais. Isso aumenta a pressão abdominal e piora a sensação de estufamento, especialmente em viagens longas ou no trajeto diário casa-trabalho.
Médicos consideram normal que um adulto elimine cerca de 1,5 litro de gases por dia, em episódios que variam entre 10 e 20 vezes. Grande parte disso acontece durante o sono, mas o restante não escolhe hora nem lugar.
O cheiro varia conforme a alimentação. Gases quase sem odor costumam vir da fermentação de carboidratos e fibras. Já o cheiro forte geralmente está ligado a alimentos ricos em enxofre, como ovos, alho, cebola, brócolis e couve-flor. Frequência excessiva, dor ou distensão persistente merecem atenção.
Segurar ocasionalmente não causa danos graves, mas transformar isso em hábito cobra seu preço. Dor abdominal, sensação de barriga dura e irritação aumentam, o que interfere diretamente na atenção ao volante. Em termos simples, dirigir já é estressante o bastante sem adicionar dor física à equação.
Em trajetos urbanos longos, esse desconforto costuma explodir quando a pessoa finalmente sai do carro, o corpo libera o que ficou preso por horas. O alívio vem, mas o sofrimento poderia ter sido menor.
Trocar a recirculação por entrada de ar externo, quando possível, já reduz o impacto. Pequenas pausas em viagens longas ajudam o corpo a funcionar melhor e aliviam o desconforto.
| Indicador | Dado médio |
|---|---|
| Volume diário de gases | 1,5 litro |
| Eliminações por dia | 10 a 20 vezes |
| Período com maior eliminação | Durante o sono |
Soltar pum no carro não é falta de educação nem sinal de descuido, é biologia. O verdadeiro problema é tratar algo comum como vergonha absoluta. No dia a dia do trânsito brasileiro, entender o próprio corpo melhora o conforto, o humor e até a segurança.
No fim, o carro pode ser fechado, mas o organismo continua funcionando. Fingir o contrário só prolonga o desconforto.