Robert Duvall morreu aos 95 anos; ator ganhou Oscar por ‘A Força do Carinho’; causa da morte ainda não foi divulgada
Robert Duvall morreu aos 95 anos no domingo, 15 de fevereiro de 2026, encerrando uma das carreiras mais sólidas do cinema americano. A morte foi confirmada na segunda-feira, 16, por sua esposa, Luciana, que informou que o ator faleceu em casa, de forma tranquila. A causa não foi divulgada.
Com mais de sete décadas de atuação no teatro, na televisão e no cinema, Duvall consolidou-se como um intérprete de rara precisão, conhecido por personagens densos e por uma presença em cena que dispensava excessos. Venceu o Oscar por A força do carinho, lançado em 1983, e acumulou sete indicações ao prêmio da Academia de Hollywood ao longo da trajetória.
Tom Hagen transformou coadjuvante em protagonista moral
O grande público o reconhece sobretudo como Tom Hagen nos dois primeiros filmes de O Poderoso Chefão, dirigidos por Francis Ford Coppola. No longa de 1972, o advogado da família Corleone não era o centro da narrativa, mas tornou-se peça-chave ao representar a racionalidade dentro do universo violento da máfia. O papel lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar.
Duvall retornou ao personagem na continuação, mas ficou de fora do terceiro filme após um desentendimento contratual. Em entrevista ao programa 60 Minutes, em 2004, afirmou que aceitava receber menos do que Al Pacino, desde que a diferença não fosse desproporcional, o que evidencia como as negociações em Hollywood também moldam trajetórias artísticas.
Oscar, indicações e rigor interpretativo
A estatueta por A força do carinho consolidou um reconhecimento que já vinha sendo construído desde os anos 1970, período em que participou de títulos centrais da renovação do cinema americano, como A conversação, Rede de intrigas e Apocalipse Now. Em todos, exibiu uma combinação de contenção e intensidade que se tornaria sua marca.
Sua última indicação ao Oscar ocorreu por O juiz, drama de tribunal lançado em 2015, no qual contracenou com Robert Downey Jr. e Billy Bob Thornton. Em entrevista concedida em 2018, Thornton afirmou que estudou Duvall quando jovem e que aprendeu com ele a diferença entre sutileza e monotonia, além da importância de manter a verdade emocional em qualquer interpretação.
Do teatro dos anos 1950 ao cinema autoral dos anos 1970
Nascido em 1931, Duvall iniciou a carreira no teatro na década de 1950 e ganhou visibilidade no cinema no início dos anos 1970, com participações em MAS*H, de 1970, e THX 1138, de 1971, estreia de George Lucas na direção de longas-metragens. O período marcou a transição para uma geração de atores e diretores que redefiniram padrões narrativos e estéticos em Hollywood.
Ao longo da vida profissional, Duvall transitou entre produções comerciais e projetos autorais, mantendo reputação de ator disciplinado e comprometido com o texto e com o contexto social dos personagens. Sua morte, anunciada oficialmente na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, representa o fim de uma era em que a atuação se apoiava menos no espetáculo e mais na construção paciente de figuras humanas complexas.














