Brent Petroleo Hoje 02/03/2026: Valor dispara até 14% após ataques ao Irã e tensão no Estreito de Ormuz derruba Bolsas pelo mundo
Os preços do petróleo e do gás natural dispararam nesta segunda-feira, 2, em reação direta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e à resposta de Teerã, movimento que elevou o risco geopolítico no Oriente Médio e atingiu em cheio os mercados financeiros globais.
O barril do Brent, referência internacional, chegou a subir quase 14% na abertura, enquanto o West Texas Intermediate avançou 12% no mesmo momento. Às 8h15 GMT, o Brent era negociado a 79,95 dólares, com alta de 9,7%, e o WTI avançava 9%, a 73,04 dólares, consolidando uma escalada que já vinha sendo precificada desde a semana passada.
Risco concentrado no Estreito de Ormuz
O foco da preocupação está no Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo mundial transportado por via marítima. A região, já considerada estratégica em períodos de estabilidade, tornou-se ainda mais sensível após ataques a navios no Golfo e a orientação da Organização Marítima Internacional para que empresas de navegação evitem a área.
Com o aumento do risco, o custo dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão da passagem de embarcações pela rota, ampliando a percepção de que uma interrupção prolongada pode comprometer o abastecimento global.
O Brent já acumulava alta superior a 19% no ano até a sexta-feira, enquanto o WTI avançava perto de 17%. Na semana passada, o petróleo do Mar do Norte havia alcançado 72 dólares, acima dos 61 dólares registrados no início do ano, refletindo a incorporação gradual de prêmio de risco.
Gás europeu salta mais de 20%
O gás natural também reagiu com força. O contrato futuro do TTF holandês, referência na Europa, operava em alta superior a 20% às 8h00 GMT, depois de ter avançado 22%, a 38.885 euros. Embora ainda abaixo dos níveis observados em janeiro, quando uma onda de frio pressionou a demanda, o salto reforça a sensibilidade do mercado à possibilidade de restrições nas exportações de gás natural liquefeito do Golfo, especialmente do Catar.
Bolsas caem e setor aéreo lidera perdas
A reação nos mercados acionários foi imediata. Na Ásia, Tóquio recuou 1,4% e Hong Kong perdeu 2,1%, enquanto Xangai destoou com leve alta de 0,5%. Na Europa, Paris cedia 1,96%, Frankfurt 1,99%, Milão 2,13%, Londres 0,55% e Madri 2,58% no início das negociações.
O setor aéreo e de turismo concentrou as maiores quedas. Companhias japonesas como ANA e JAL recuaram mais de 5%, a AirFrance-KLM perdia 7,24% e a Lufthansa caía 5,77%. O encarecimento do combustível e o aumento das incertezas sobre rotas e demanda ampliam a pressão sobre empresas que ainda lidam com margens apertadas.
Na direção oposta, empresas de energia abriram o dia em alta nas Bolsas europeias, com ganhos de 5,32% para Shell, 4,70% para BP, 4,29% para Repsol e 3,97% para TotalEnergies.
Pressão inflacionária e risco de US$ 100
Analistas avaliam que, por enquanto, os mercados tratam o episódio como choque geopolítico e não como crise sistêmica, mas reconhecem que uma interrupção prolongada no fornecimento pelo Estreito de Ormuz pode levar o barril rapidamente à faixa dos 100 dólares, sobretudo se houver ataques a instalações petrolíferas na região.
A Opep+ decidiu no domingo ampliar a produção em 206.000 barris por dia a partir de abril, mas parte dos produtores já opera perto da capacidade máxima, o que limita a margem de resposta imediata.
O avanço do petróleo reacende o risco de novas pressões inflacionárias, em um cenário em que o ouro subiu 2% e o dólar também se valorizou, reforçando a busca por ativos considerados mais seguros.
Enquanto tropas, aviões e navios de guerra continuam sendo deslocados para a região e empresas de navegação evitam o Golfo, os contratos de petróleo e gás seguem voláteis nas primeiras horas do pregão, com investidores atentos a novos desdobramentos no Oriente Médio ao longo do dia.















