O dólar iniciou a quarta-feira em alta frente ao real, refletindo uma combinação de fatores externos que voltaram a chamar a atenção dos investidores. Entre eles estão os dados recentes de inflação nos Estados Unidos e a continuidade das tensões envolvendo o Irã e o fluxo global de petróleo.
No mercado brasileiro, a moeda norte-americana era negociada com valorização no início do pregão. O movimento acompanha um ambiente de cautela nos mercados internacionais, onde operadores monitoram sinais contraditórios sobre a situação geopolítica no Oriente Médio.
A divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos trouxe números em linha com as projeções de analistas. Em fevereiro, o indicador registrou alta de 0,3% no mês e avanço de 2,4% no acumulado de 12 meses.
O resultado foi praticamente idêntico ao esperado por economistas consultados pelo mercado.
Apesar de não ter provocado surpresa, o indicador reforçou a percepção de que a inflação americana permanece relativamente controlada. Ainda assim, investidores seguem atentos ao impacto de fatores externos que podem alterar esse cenário.
A leitura predominante no mercado é que qualquer choque relevante no preço do petróleo poderia pressionar novamente os índices inflacionários globais.
Enquanto os dados econômicos vinham dentro das projeções, o cenário geopolítico voltou a ganhar peso na formação de preços. O conflito envolvendo o Irã permanece no centro das atenções de investidores internacionais.
Nos últimos dias, sinais divergentes vindos de Washington e Teerã aumentaram a incerteza.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir que a guerra poderia terminar mais cedo do que o esperado. A declaração provocou uma breve melhora no humor dos mercados, com recuperação de ativos de risco.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas continuam interferindo no fluxo de embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de energia.
Qualquer interrupção significativa na passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz tende a gerar reação imediata nos preços da commodity e no mercado de câmbio.
Esse tipo de risco costuma levar investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.
No mercado doméstico, a moeda americana operava em alta durante a manhã.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dólar à vista (venda) | R$ 5,176 |
| Variação no início do pregão | +0,37% |
| Dólar futuro para abril | R$ 5,196 |
No mercado futuro da B3, o contrato mais negociado também registrava leve valorização, acompanhando o movimento internacional.
No dia anterior, a moeda havia encerrado em leve queda.
A agenda do dia inclui ainda a atuação do Banco Central no mercado de câmbio. A autoridade monetária programou para o final da manhã um leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional.
A operação tem como objetivo rolar contratos que vencem em 1º de abril, uma prática comum utilizada pela instituição para dar liquidez ao mercado e suavizar oscilações mais bruscas no câmbio.
Além dos fatores externos, investidores acompanham a agenda doméstica. Um dos pontos de atenção é a divulgação da pesquisa Genial/Quaest com as intenções de voto para a disputa presidencial.
O levantamento está previsto para o período da tarde e pode gerar repercussões no mercado financeiro dependendo da leitura que operadores fizerem sobre o cenário político.
Enquanto isso, traders continuam monitorando o noticiário internacional, principalmente qualquer sinal de mudança no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, um ponto que segue em aberto e que pode voltar a mexer com o dólar ao longo do dia.
Foto de capa: Valter Campanato/Agência Brasil