Dólar hoje no Brasil: preço dispara, petróleo volta a US$ 100 e Bolsa despenca: o que realmente está acontecendo nos bastidores do mercado agora

Mercados globais recuam com petróleo próximo de US$ 100 e escalada militar; dólar sobe no Brasil enquanto investidores reavaliam inflação e juros
Publicado por em Economia dia
Dólar hoje no Brasil: preço dispara, petróleo volta a US$ 100 e Bolsa despenca: o que realmente está acontecendo nos bastidores do mercado agora
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A quinta-feira começou com humor zero nos mercados financeiros. O dólar voltou a subir diante do real, enquanto o Ibovespa recuou logo na abertura da B3, num movimento alinhado ao clima de cautela que domina bolsas pelo mundo. No pano de fundo estão a escalada do conflito no Oriente Médio, a disparada do petróleo e a divulgação de novos dados de inflação no Brasil.

Cotação do dólar em tempo real

A moeda americana iniciou o dia sendo negociada por volta de R$ 5,169 e, ao longo da sessão, ganhou força. No começo da tarde, o avanço já se aproximava de 1%, levando a cotação para perto de R$ 5,21. Para quem acompanha o mercado, a lógica do dia é conhecida: tensão geopolítica sobe, investidores procuram abrigo em ativos considerados mais seguros.

Petróleo caro volta ao centro do jogo

O petróleo voltou a operar próximo de US$ 100 por barril, patamar que há poucos meses parecia distante. A escalada do conflito entre forças no Oriente Médio ampliou o temor de interrupções no fornecimento global da commodity.

A Agência Internacional de Energia revisou para baixo sua previsão de aumento da oferta mundial neste ano. O motivo está ligado justamente aos impactos do conflito sobre a produção da região, uma das áreas mais estratégicas do planeta para o setor energético.

Mesmo após o anúncio de liberação recorde de reservas por parte de países integrantes da organização, o mercado não se convenceu de que a oferta será suficiente para equilibrar o cenário.

  • Preço do petróleo chegou perto de US$ 100 por barril
  • Oferta global foi revisada para baixo pela Agência Internacional de Energia
  • Conflito no Oriente Médio amplia temor sobre produção
  • Investidores voltam a temer pressão inflacionária global

O efeito foi imediato nas bolsas. Índices europeus operaram em queda, enquanto mercados asiáticos encerraram o pregão com perdas.

Bolsas globais entram em modo cautela

Na Ásia, o tom foi negativo. O índice Nikkei recuou 1,04% no Japão. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,70%. O Taiex, em Taiwan, caiu 1,56%. Em Seul, o Kospi também registrou baixa.

Nos Estados Unidos, Wall Street abriu em queda. O temor central é que o petróleo caro volte a pressionar a inflação global, reduzindo as chances de cortes de juros no curto prazo.

Esse mesmo clima atravessou o Atlântico e chegou ao Brasil.

Ibovespa perde força e cai abaixo de 180 mil pontos

O Ibovespa acompanhou o movimento global e registrou queda superior a 2% durante o pregão, voltando a operar abaixo da marca de 180 mil pontos.

A queda também refletiu o impacto de resultados corporativos divulgados recentemente.

Entre eles:

  • CSN reportou prejuízo de R$ 721 milhões no quarto trimestre de 2025
  • Casas Bahia reduziu perdas para R$ 79 milhões no período
  • Receita da varejista cresceu 6,1% no trimestre

Balanços corporativos costumam gerar volatilidade em momentos de tensão externa. Quando a economia global fica mais incerta, investidores passam a avaliar com mais rigor os resultados das empresas.

Inflação brasileira entra na equação

O mercado também reagiu aos dados mais recentes de inflação. O IPCA de fevereiro registrou alta de 0,7%, após avanço de 0,33% em janeiro.

Apesar da aceleração no mês, o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

A inflação de serviços segue pressionada, enquanto itens como alimentação e bens industriais não mostraram a desaceleração esperada no período.

O resultado chega em um momento delicado. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne para decidir os próximos passos da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.

Parte do mercado espera o início de um ciclo de cortes, mas o cenário externo pode mudar o ritmo dessa decisão.

Governo tenta amortecer impacto do petróleo

Diante da escalada do petróleo, o governo brasileiro anunciou medidas para reduzir o impacto do combustível sobre a economia.

Entre elas:

  • zerar PIS e Cofins sobre o diesel
  • criar subsídio para produtores
  • impor imposto sobre exportações de petróleo

Segundo estimativa do Ministério da Fazenda, a mudança pode reduzir em cerca de R$ 0,64 o preço do litro do diesel nas refinarias.

Autoridades também anunciaram reforço na fiscalização de revendedores para garantir que a redução de tributos chegue ao consumidor final.

A reação dos mercados, no entanto, continua condicionada ao cenário externo. Com o conflito no Oriente Médio entrando no décimo terceiro dia e o petróleo novamente rondando os três dígitos, investidores seguem atentos ao risco de novos choques nos preços de energia, enquanto aguardam a decisão de juros do Banco Central marcada para a próxima semana.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.