A inflação oficial do Brasil acelerou e ficou em 0,88% em março, acima da previsão de 0,7%, pressionada principalmente pelos combustíveis, com destaque para a gasolina, que teve papel central no avanço do índice.
No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,14%, ainda dentro do limite da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que permite até 4,5%.
O principal fator foi o grupo Transportes, que registrou alta de 1,64% e respondeu sozinho por 0,34 ponto percentual do índice total.
Dentro desse grupo, os combustíveis dispararam 4,47%, com impacto direto no bolso do consumidor e peso relevante no resultado final.
A gasolina foi o maior destaque negativo, com alta de 4,59% e impacto de 0,23 ponto percentual no IPCA, sendo o item que mais pressionou a inflação em março.
Além dos transportes, o grupo Alimentação e bebidas também teve forte alta de 1,56%, contribuindo com 0,33 ponto percentual.
Juntos, esses dois grupos concentraram 76% de toda a inflação registrada no mês, mostrando concentração da pressão inflacionária em itens essenciais.
Outros grupos tiveram variações mais moderadas:
O impacto foi direto e forte, com aumento expressivo em diferentes tipos de combustível.
O óleo diesel saltou de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, enquanto o etanol subiu 0,93%.
Já o gás veicular foi a única exceção, com queda de 0,98%.
Esse movimento elevou o custo do transporte e pressionou toda a cadeia de preços, refletindo rapidamente na inflação.
As passagens aéreas continuaram subindo, mas em ritmo menor, com alta de 6,08% em março, contra 11,40% em fevereiro.
Mesmo com desaceleração, o setor segue contribuindo para manter os preços elevados no grupo de transportes.
Não. Apesar da alta acima do esperado, o IPCA continua dentro do intervalo permitido.
A meta de inflação para 2026 é de 3%, com tolerância de até 4,5%, e o índice acumulado de 4,14% ainda respeita esse limite.
Desde o ano passado, o sistema de meta passou a ser contínuo, com acompanhamento mês a mês com base no acumulado de 12 meses.
Sim. Diante da pressão dos combustíveis, o governo anunciou um pacote de medidas com custo estimado de R$ 30,5 bilhões.
Segundo o Ministério do Planejamento, a proposta não deve gerar impacto fiscal, pois será compensada por receitas do próprio setor, como diesel e royalties.
A estratégia busca reduzir a pressão sobre os preços e evitar que a inflação continue acelerando nos próximos meses.