Selic Hoje: A guerra pode travar a queda da Taxa Selic 2026? Analistas revelam o cenário que pode mudar os planos do Banco Central já em março

Conflito no Oriente Médio eleva petróleo e dólar e aumenta incerteza sobre cortes da Selic. Veja o que economistas projetam para o Copom.
Publicado por em Economia dia
Selic Hoje: A guerra pode travar a queda da Taxa Selic 2026? Analistas revelam o cenário que pode mudar os planos do Banco Central já em março
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A intensificação do conflito no Oriente Médio passou a ser um novo elemento de incerteza para a política monetária brasileira. Após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o avanço das tensões elevou os preços do petróleo, pressionou o dólar e abriu espaço para revisões nas expectativas do mercado sobre o ritmo de cortes da Selic.

O Banco Central se reúne novamente nos dias 17 e 18 de março para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária. Até pouco tempo atrás, a expectativa dominante era de redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros. O cenário ainda permanece como o mais provável, mas a escalada geopolítica fez crescer a chance de um corte menor.

Mercado mantém cenário principal, mas com cautela maior

O consenso entre analistas continua apontando para um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março. Ainda assim, o conflito internacional aumentou o grau de cautela entre economistas e gestores.

Segundo avaliações do mercado, o choque geopolítico não altera automaticamente a decisão do Banco Central, mas adiciona incerteza ao ambiente macroeconômico.

O evento no Oriente Médio aumenta a incerteza, mas não muda automaticamente a decisão do Copom em março.

Parte dos analistas entende que o conflito pode tornar o ciclo de afrouxamento monetário mais gradual ao longo do ano, especialmente se os efeitos sobre o petróleo e o câmbio se mostrarem persistentes.

Petróleo e dólar entram na conta do Banco Central

Os primeiros efeitos da tensão internacional apareceram rapidamente nos mercados financeiros. Após os ataques contra o Irã, o petróleo Brent chegou a atingir US$ 80 por barril, enquanto o dólar avançou para a faixa de R$ 5,20.

Ao longo do mesmo dia, parte desse movimento perdeu força, com o Brent sendo negociado perto de US$ 77 e o dólar recuando para R$ 5,17. Ainda assim, os números foram suficientes para reacender discussões sobre possíveis impactos na inflação brasileira.

O Banco Central acompanha especialmente dois canais de transmissão desse tipo de choque:

  • Alta do petróleo pressionando combustíveis e fretes
  • Valorização do dólar encarecendo produtos importados

Esses fatores podem gerar impacto indireto sobre o índice de preços ao consumidor, dependendo da intensidade e da duração do movimento.

Expectativas de inflação seguem relativamente estáveis

Por enquanto, as projeções para a inflação brasileira permanecem relativamente estáveis. O Boletim Focus mais recente manteve a estimativa do IPCA de 2026 em 3,91%, o mesmo nível da semana anterior.

Para 2027, a expectativa passou de 3,8% para 3,79%. O movimento indica que o mercado ainda não incorporou mudanças significativas no cenário inflacionário.

Segundo economistas, o Banco Central costuma observar não apenas choques temporários, mas principalmente se eles têm capacidade de contaminar expectativas de inflação no médio prazo.

Quando o conflito começa a afetar os juros

A possibilidade de alteração no ritmo de cortes da Selic depende de uma combinação de fatores macroeconômicos.

  1. Petróleo mantendo preços elevados por várias semanas
  2. Dólar sustentado acima de determinados níveis
  3. Piora das expectativas de inflação para os próximos anos

Analistas apontam que, para justificar uma mudança relevante na postura do Banco Central, seria necessário observar petróleo acima de US$ 90 por barril de forma persistente e câmbio entre R$ 5,30 e R$ 5,40, acompanhado de deterioração nas expectativas inflacionárias.

Caso esses elementos se consolidem, o Copom poderia reduzir o ritmo de cortes ou até interromper temporariamente o ciclo de afrouxamento monetário.

Petróleo traz efeito ambíguo para o Brasil

O aumento do preço do petróleo tem efeitos mistos para a economia brasileira. Por um lado, valores mais elevados da commodity podem ampliar receitas com exportações, royalties e dividendos de empresas do setor energético.

Por outro, o encarecimento da energia tende a pressionar custos de transporte, combustíveis e produção, gerando impactos indiretos sobre a inflação.

Efeito positivo Maior receita com exportações e royalties
Efeito negativo Pressão inflacionária via combustíveis e fretes

A avaliação predominante entre analistas é que o efeito final dependerá principalmente da duração do choque geopolítico e do grau de repasse desses preços à economia doméstica.

Enquanto o conflito no Oriente Médio segue sem solução clara, o Banco Central acompanha os desdobramentos e o comportamento das variáveis internacionais. Até a reunião do Copom em março, novos movimentos no petróleo, no dólar e nas expectativas de inflação devem continuar no radar dos economistas e dos investidores.

Pablo Silva
Pablo Silva
Especialista em jornalismo automotivo, analisa carros com olhar técnico e paixão por motores. Produz reportagens exclusivas e detalhadas para o Carro.Blog.Br.