Valor do Dólar Hoje 02/03/2026: O que explica a alta do dólar com a guerra no Oriente Médio e como isso chega ao Brasil
O dólar à vista fechou o último pregão cotado a R$ 5,1344 para venda, segundo operadores da mesa de câmbio da corretora Getmoney, encerrando fevereiro com queda de 2,17% no mês e recuo de 6,46% no acumulado do ano, um desempenho que até aqui vinha refletindo o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, mas que agora passa a dividir espaço com a escalada da guerra contra o Irã.
O conflito ganhou novos contornos no fim de semana, com a confirmação da morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de outros dirigentes, episódio que elevou a aversão ao risco nos mercados internacionais e reacendeu a busca por ativos considerados mais seguros, entre eles a moeda americana, que tradicionalmente funciona como abrigo em momentos de tensão.
Cotação do dólar em tempo real
Juros no Brasil ainda atraem capital
O pano de fundo doméstico, porém, não desapareceu. O texto-base informa que o Brasil opera com juros de 15%, enquanto nos Estados Unidos a taxa está na faixa de 3,5% a 3,75%, diferença que ajuda a atrair recursos para o país e sustenta o real. Na prática, investidores globais enxergam retorno maior por aqui e isso amplia a oferta de dólares no mercado local.
Esse movimento explica por que, mesmo diante do aumento do risco geopolítico, a moeda terminou fevereiro acumulando queda no ano. O fluxo financeiro segue influenciado pelo rendimento mais elevado no Brasil, que atua como contrapeso à pressão externa.
Petróleo e Estreito de Ormuz entram no radar
A tensão não se restringe ao noticiário político. A Opep+ definiu aumento pequeno de produção, de 206 mil barris por dia, enquanto os embarques de petróleo, gás e outros produtos do Oriente Médio pelo Estreito de Ormuz estão paralisados desde sábado. Trata-se de uma das rotas estratégicas para o comércio global de energia.
Quando o fluxo por Ormuz trava, o mercado rapidamente recalcula risco, projeta impacto no preço do barril e ajusta posições em moedas e ações.
Com o petróleo sob pressão, cresce a preocupação com custos de energia e reflexos inflacionários, fatores que costumam influenciar decisões de bancos centrais e, por tabela, o comportamento do câmbio.
Agenda econômica divide atenção
A semana traz indicadores relevantes que, em circunstâncias mais tranquilas, dominariam as manchetes do mercado. No Brasil, estão previstos o Boletim Focus, com as projeções do mercado, e o PMI industrial. Nos Estados Unidos, o PMI industrial e o relatório de emprego Payroll entram na agenda. Na zona do euro, haverá divulgação do PMI e discursos de integrantes do Banco Central Europeu, incluindo Christine Lagarde.
- Boletim Focus no Brasil às 8h15
- PMI industrial no Brasil às 10h
- PMI industrial nos EUA às 11h45
- Discursos no Banco Central Europeu às 11h
Além disso, o Federal Reserve está sob nova presidência, com Kevin Warsh substituindo Jerome Powell. A expectativa é de comunicação menos precisa sobre os próximos passos dos juros, o que tende a deslocar o foco do mercado para os dados correntes de atividade e inflação.
Enquanto investidores recalculam risco e acompanham o desenrolar do conflito no Oriente Médio, o câmbio segue oscilando entre o impulso dado pelos juros elevados no Brasil e a cautela imposta pelo cenário externo, com o petróleo ainda reagindo à paralisação no Estreito de Ormuz e os próximos indicadores econômicos prestes a serem divulgados ao longo da semana.














