WEG RI: Por que o JPMorgan rebaixou a WEGE3 e o que isso significa para o investidor

WEG (WEGE3) caiu após o JPMorgan rebaixar a recomendação para neutra e reduzir preço-alvo. Banco revisou lucro por ação para 2026 e 2027 após 4T25.
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WEG RI: Por que o JPMorgan rebaixou a WEGE3 e o que isso significa para o investidor
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Ações da WEG recuam depois de balanço do 4T25 e corte de projeções. JPMorgan aponta múltiplos elevados e prêmio relevante frente a pares globais.

A WEG (WEGE3) passou a quinta-feira (26) sob pressão depois que o JPMorgan revisou suas estimativas para a companhia e rebaixou a recomendação de overweight para neutra. A decisão veio após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, considerados abaixo do esperado pelo banco, e foi acompanhada de corte no preço-alvo, de R$ 50 para R$ 49.

Por volta das 10h31, as ações caíam 2,88%, negociadas a R$ 48,83, refletindo a reação imediata do mercado ao ajuste nas projeções. O movimento ocorre em um contexto em que a empresa vinha sendo negociada com múltiplos elevados, sustentada pela percepção de qualidade e pela exposição internacional.

Revisão de lucro e efeito do câmbio

O banco reduziu em cerca de 4% a 5% as estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027. Entre os fatores apontados está um real mais forte do que o anteriormente projetado. A nova estimativa considera o dólar a R$ 5,40 ao fim do ano, ante R$ 5,65 na previsão anterior, em um cenário em que a moeda era cotada a R$ 5,12 no mercado à vista.

Com as revisões, os números da casa passaram a ficar 4% a 5% abaixo do consenso para o lucro por ação nesses dois anos. A combinação de resultado mais fraco e ajuste cambial levou o banco a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao papel.

Múltiplos ainda elevados

Nas novas estimativas, a WEG é negociada a 21,6 vezes e 18,3 vezes EV/Ebitda para 2026 e 2027, respectivamente, e a 31,4 vezes e 26,6 vezes no múltiplo preço sobre lucro no mesmo período. Segundo o JPMorgan, esses patamares representam um prêmio aproximado de 22% sobre o nível histórico, considerando 15 anos de dados de P/L.

Com base no consenso para os próximos 12 meses, o banco destaca que as ações estão precificadas a cerca de 20,9 vezes EV/EBITDA e 29,3 vezes P/L, o que implica prêmios de aproximadamente 4% e 22% em relação às médias históricas. Para os analistas, o crescimento projetado ainda não retornou aos patamares históricos, enquanto o valuation permanece esticado.

  • Recomendação foi rebaixada de overweight para neutra.
  • Preço-alvo caiu de R$ 50 para R$ 49.
  • Estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027 foram reduzidas.
  • Múltiplos seguem acima das médias históricas.

Comparação com pares globais

O JPMorgan também comparou a WEG a grupos internacionais do setor industrial, como ABB, Schneider Electric, Siemens, Emerson e Eaton. Para 2026, a companhia negocia a 21,6 vezes EV/Ebitda, com prêmio de 16% em relação aos pares, e a 31,4 vezes no múltiplo preço sobre lucro, com prêmio de 20%.

Apesar disso, o diferencial histórico da empresa em relação aos concorrentes diminuiu. O prêmio atual no EV/Ebitda, de cerca de 40%, está abaixo da média de 80% a 90% observada em períodos de cinco e quinze anos. No P/L, o prêmio de 30% também é inferior aos níveis históricos de 55% a 60%.

Em exercício que relaciona EV/Ebitda ao crescimento do Ebitda, o banco estima que o múltiplo considerado justo seria de 18,3 vezes, o que implicaria uma contração próxima de 15% em relação ao nível atual.

Perfil defensivo e visão de longo prazo

Mesmo com o rebaixamento, o JPMorgan mantém avaliação de que a WEG é uma empresa de alta qualidade, com diversas frentes de crescimento, como transformadores, soluções de armazenamento de energia e equipamentos ligados à eletrificação. A exposição internacional também é vista como característica defensiva.

Por outro lado, os analistas avaliam que a ação não é o melhor instrumento para capturar eventos macroeconômicos domésticos, como um eventual ciclo de flexibilização monetária ou o ambiente eleitoral no Brasil.

A reação negativa do mercado após o relatório indica que parte dos investidores vinha apostando em manutenção do ritmo de crescimento ou em revisões menos intensas. Com o papel negociado perto do novo preço-alvo e sob múltiplos ainda elevados, o comportamento das próximas sessões dependerá da assimilação das novas estimativas e da evolução do cenário macroeconômico nos próximos meses.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.