Corinthians renova com Esportes da Sorte e pode faturar até R$ 200 milhões por ano
O Corinthians acertou a renovação de contrato com a Esportes da Sorte e garantiu um dos maiores acordos de patrocínio do futebol brasileiro até o fim de 2029. Pelo novo vínculo, o clube receberá R$ 150 milhões fixos por temporada, com possibilidade de atingir R$ 200 milhões anuais caso metas esportivas sejam cumpridas ao longo do período.
O contrato anterior, firmado em julho de 2024, previa o pagamento de R$ 309 milhões por três anos, o equivalente a R$ 103 milhões por temporada. Parte daquele valor, no entanto, dependia do acionamento de um gatilho específico para contratação de um jogador considerado midiático. Se a cláusula não fosse utilizada, a quantia simplesmente não era repassada.
A partir de setembro de 2024, o clube ativou esse dispositivo para custear parte dos vencimentos do atacante Memphis Depay, ficando responsável por 20% do salário fixo, além de bônus previstos em contrato. Era um modelo que misturava marketing com folha salarial e que gerava debate interno e externo.
Mais liberdade e menos amarras
No novo acordo, a lógica mudou. Diferentemente do modelo anterior, o Corinthians poderá utilizar integralmente os valores do patrocínio da forma que considerar mais estratégica, sem destinação obrigatória para contratações específicas. Em termos práticos, o dinheiro entra sem carimbo.
Isso significa mais margem para organizar fluxo de caixa, planejar investimentos ou, se for o caso, reforçar o elenco. A diferença está na autonomia. O clube deixa de depender de gatilhos vinculados a nomes e passa a trabalhar com metas esportivas mais amplas.
- Valor fixo anual: R$ 150 milhões
- Valor máximo com metas: até R$ 200 milhões por temporada
- Vigência do contrato: até dezembro de 2029
- Uso do recurso: sem obrigação de destinação específica
Em números, trata-se do segundo maior patrocínio do futebol brasileiro na atualidade. O valor só fica atrás do contrato do Flamengo com a Betano, que recebe R$ 268,5 milhões por ano. A comparação é inevitável, ainda que cada clube negocie dentro de sua realidade de mercado e exposição.
Impacto nas demais modalidades
Até então, além do time principal, a marca também figurava como patrocinadora máster do futebol feminino, das equipes masculina e feminina do basquete e do futsal. No acordo anterior, essas propriedades foram cedidas como cortesia, sem pagamento adicional, e apenas 2% do total era destinado ao futebol feminino.
Durante as tratativas iniciadas no fim de 2025, ficou definido que as Brabas e as demais modalidades poderão buscar patrocinadores máster exclusivos. Caso isso aconteça, a marca da casa de apostas migrará para outro espaço no uniforme.
A mudança abre espaço para novas receitas e, ao mesmo tempo, reorganiza o mapa de exposição da camisa alvinegra, que hoje funciona como vitrine publicitária disputada centímetro a centímetro.
Outros patrocinadores e projeção para 2026
O Corinthians também confirmou a permanência de outros parceiros. A BYD seguirá estampada na omoplata até o fim de 2026. A EZZE Seguros renovou até 30 de junho de 2026. A Frimesa estendeu o vínculo até dezembro de 2026. Já o Banco BMG mantém contrato até dezembro de 2026, com pagamento anual fixo de R$ 12 milhões.
O Zé Delivery, que tinha exposição na omoplata direita até o fim de 2025, possui vínculo até 2027 e ainda define o formato da continuidade da parceria, seja no uniforme ou em ações de marketing. O aplicativo também integra a Sociedade Anônima da Brahma, iniciativa criada em conjunto com a cervejaria Brahma e o próprio clube.
De acordo com o orçamento aprovado pelo Conselho de Orientação para 2026, o Corinthians projeta arrecadar R$ 255 milhões em patrocínios na temporada, o que representa aumento de 47% em relação ao valor previsto para 2025.
O desafio além da assinatura
Contrato assinado não resolve tudo, mas ajuda bastante. O novo acordo fortalece o caixa e oferece previsibilidade até 2029, algo raro em um cenário de oscilações esportivas e financeiras.
O desafio agora é transformar cifras em estabilidade. Metas esportivas não se cumprem no papel, e bônus dependem de desempenho. O torcedor, que acompanha cada centavo com lupa, já faz contas e comparações. No futebol brasileiro, números altos chamam atenção, mas títulos continuam sendo o melhor argumento de marketing.
No fim das contas, o Corinthians amplia sua principal fonte comercial e aposta em um ciclo de quatro temporadas com receita robusta. Se a bola entrar, o contrato pode bater no teto. Se não entrar, ao menos o valor fixo já garante um alívio considerável.
Entre cifras e expectativas, o clube tenta equilibrar ambição e responsabilidade. No futebol, como no mercado, o risco sempre existe. A diferença é que agora ele está calculado em até R$ 200 milhões por ano.
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians














