Cristiano Ronaldo avalia encerrar sua passagem pelo futebol saudita ao fim da atual temporada e já discute, nos bastidores, a possibilidade de deixar o Al-Nassr em junho de 2026, quando se encerra o ciclo competitivo do clube. A movimentação ocorre em meio a um ambiente de desgaste interno e à insatisfação crescente do atacante com os rumos esportivos do projeto conduzido na Arábia Saudita.
Aos 41 anos, o português analisa alternativas para a reta final da carreira. Pessoas próximas ao jogador indicam que há conversas exploratórias envolvendo uma transferência para a Major League Soccer, nos Estados Unidos, além da manutenção de portas abertas para um retorno ao futebol europeu. Nenhum cenário foi descartado até o momento, e a definição é tratada como estratégica.
O pano de fundo da possível saída passa pela atuação do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, que desde 2023 assumiu o controle acionário dos principais clubes do país. Cristiano Ronaldo demonstra incômodo com a interferência direta do fundo em decisões esportivas e com a limitação de investimentos no elenco do Al-Nassr, especialmente quando comparado a rivais diretos na liga.
A diferença de tratamento ficou mais evidente na última janela de transferências. O Al-Hilal reforçou seu elenco com a chegada de Karim Benzema, enquanto o Al-Ittihad apostou no jovem Georges Ilenikhena, revelação do Monaco. O Al-Nassr, por outro lado, teve atuação discreta no mercado e anunciou apenas a contratação do meio-campista iraquiano Abdulkareem, ex-Al-Zawraa, movimento considerado insuficiente internamente.
Dentro do clube, a leitura é de que a dificuldade para contratar não se deve apenas a questões técnicas ou financeiras. Há a percepção de uma estratégia mais ampla para equilibrar forças no campeonato e evitar que um único time concentre protagonismo. O impacto dessa política aparece na tabela: o Al-Nassr segue competitivo, mas ocupa posição imediatamente atrás do líder Al-Hilal, com apenas um ponto de diferença.
Outro fator que pesa na avaliação do atacante é a sensação de falta de reconhecimento institucional. Cristiano Ronaldo entende que sua chegada foi determinante para a projeção internacional do Campeonato Saudita, ampliando audiência global, atraindo patrocinadores e estimulando a vinda de outros jogadores de renome. Apesar disso, avalia que esse impacto não tem sido considerado nas decisões esportivas mais recentes.
O contrato em vigor prevê uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 308 milhões. O valor não inviabiliza uma saída, mas adiciona peso às negociações e às conversas entre representantes do jogador, clube e possíveis interessados. Mesmo diante do desconforto, Cristiano segue envolvido em projetos institucionais do país e atua como embaixador da Copa do Mundo de 2034, que será realizada na Arábia Saudita.
Em campo, sinais de desgaste começaram a aparecer nas últimas semanas. A ausência do camisa 7 na partida contra o Al-Riyadh chamou atenção e gerou repercussão imediata. Embora a decisão tenha sido oficialmente classificada como técnica, o episódio foi interpretado como um gesto silencioso de insatisfação e reforçou os rumores sobre o fim da relação.
Com o calendário avançando e o ambiente interno pressionado, a possível saída de Cristiano Ronaldo deixou de ser tratada apenas como especulação. Nos bastidores do futebol internacional, a movimentação é acompanhada de perto, enquanto o Al-Nassr se prepara para um desfecho que pode marcar o encerramento de um dos capítulos mais simbólicos do projeto saudita no esporte.