Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro colocou as finanças da publicidade do Maracanã no centro de uma disputa envolvendo o Flamengo e uma empresa que afirma ter direito a parte da arrecadação gerada no estádio. A ordem judicial determina que o clube apresente documentos e informações sobre contratos e receitas publicitárias registradas entre 2023 e 2025.
O caso começou após ação movida pela empresa Futuro Eventos, que afirma ter participação na operação dos painéis de LED instalados no estádio. Segundo a empresa, existe um contrato que prevê divisão de receitas sempre que a comercialização de publicidade é feita pelo próprio Flamengo.
A decisão foi proferida pela juíza Maria Cristina Barros Gutierrez Slaibi, da 3ª Vara Cível da Capital. Na análise inicial do processo, ela reconheceu que há vínculo contratual entre as partes e determinou que o clube apresente dados financeiros que permitam avaliar o cumprimento do acordo.
O Flamengo terá prazo de 15 dias para entregar um conjunto de informações detalhadas relacionadas à exploração comercial da publicidade no estádio.
Entre os documentos solicitados estão:
A documentação permitirá que o processo avance para uma etapa mais técnica, em que as contas poderão ser analisadas de forma detalhada.
Nesta fase do processo, a Justiça analisa apenas a obrigação de prestar contas, sem discutir ainda o valor financeiro da disputa.
A empresa Futuro Eventos sustenta que nunca recebeu prestação de contas referente aos contratos de publicidade realizados no Maracanã desde 2019. Segundo a ação, a companhia também afirma não ter recebido documentos básicos que permitam verificar o volume de receitas geradas.
O advogado da empresa, José Antonio Carim, afirma que os pedidos por informações teriam sido negados ao longo dos últimos anos. Em alguns momentos, segundo a argumentação apresentada no processo, o Flamengo teria alegado que os contratos com anunciantes possuíam cláusulas de sigilo.
O processo também menciona uma disputa envolvendo equipamentos utilizados na operação dos painéis de LED do estádio. A empresa afirma que esses equipamentos chegaram a ser retidos pelo clube em meio ao desacordo comercial.
Segundo os termos citados na ação judicial, o acordo previa um modelo de participação financeira para a Futuro Eventos.
Quando a venda de publicidade fosse realizada diretamente pelo Flamengo, a empresa teria direito a um percentual de 40% da receita obtida, desde que houvesse prestação de contas detalhada.
A ação sustenta que essa prestação de contas nunca foi apresentada, o que teria impedido a verificação dos valores envolvidos na exploração comercial da publicidade no estádio.
| Elemento do contrato | Informação citada no processo |
|---|---|
| Operação publicitária | Painéis de LED no Maracanã |
| Divisão prevista | 40% da receita para a empresa parceira |
| Período questionado | 2019 até o presente |
| Documentos solicitados | Contratos, notas fiscais, extratos e comprovantes |
Caso o Flamengo não cumpra a determinação dentro do prazo estipulado, o clube pode enfrentar consequências processuais nas próximas etapas do processo.
Entre elas está a possibilidade de perder o direito de contestar posteriormente valores apresentados pela empresa autora da ação.
Se os documentos forem apresentados, o processo seguirá para a fase de auditoria. Nessa etapa, os dados financeiros serão analisados para verificar quanto foi arrecadado com publicidade no Maracanã e se houve ou não repasses previstos em contrato.