O empate por 1 a 1 entre Fortaleza e Iguatu, no Presidente Vargas, pode ser lido como um duelo entre carros de categorias diferentes presos no mesmo trânsito. O Fortaleza entrou em campo como um hatch médio moderno, cheio de recursos, motor forte e obrigação de chegar antes. O Iguatu se comportou como um subcompacto simples, mais lento, mas feito para aguentar buraco, impacto e seguir rodando sem quebrar.
Logo no início, o roteiro saiu do esperado. O Iguatu abriu o placar cedo, aproveitando um escanteio, como quem encaixa uma ultrapassagem improvável num trecho curto. Pouco depois, perdeu Diguinho expulso. A partir daí, a lógica do jogo ficou clara, o Fortaleza com um jogador a mais passou a ter pista livre, posse de bola e volume constante. Era o carro mais potente empurrando o ritmo, enquanto o outro se defendia fechando cada espaço possível.
O empate veio de pênalti, convertido por Bareiro, e ali o jogo virou um teste de paciência. O Fortaleza passou a circular a área como um veículo com motor sobrando, mas preso em engarrafamento urbano. Cruzou, finalizou, insistiu pelos lados e pelo meio, mas sempre esbarrava na mesma cena, defesa congestionada, linhas baixas e um goleiro atento. O Iguatu, mesmo com um a menos, se ajustou como quem reduz marcha e aceita rodar no limite para não ficar pelo caminho.
No segundo tempo, o cenário se repetiu. O Fortaleza acumulou chegadas, criou chances claras e teve momentos em que parecia inevitável o gol da virada. Mas faltou precisão, sobrou ansiedade e, em pelo menos uma jogada decisiva, o próprio atacante acabou desviando a bola que entraria. Foi o tipo de erro comum quando se acelera demais sem espaço.
O Iguatu, por sua vez, jogou o tempo todo com o painel de alerta ligado. Não buscou velocidade, não tentou ousar. Tratou o empate como resultado de sobrevivência. Cada bola afastada era um quilômetro vencido. Cada defesa, mais alguns metros percorridos até a linha de chegada.
No apito final, o empate soou frustrante para o Fortaleza e valioso para o Iguatu. Um jogo que mostrou que, no futebol, nem sempre o carro mais caro chega primeiro. Às vezes, quem sabe se defender e aguentar o percurso termina a corrida exatamente onde precisa.