Nino e Arias no Palmeiras: Seria esse um sonho para a torcida do Verdão?
O Palmeiras apresentou propostas finais por Arias e Nino depois de um início irregular no Campeonato Paulista e mudou o tom no mercado. A diretoria deixou de lado a cautela prolongada e avançou nas negociações para reforçar posições consideradas estratégicas.
O desempenho em campo acelerou decisões. O elenco começou a temporada com muitos jovens e poucas peças experientes, cenário que expôs limites competitivos. A leitura interna foi direta: apenas garotos não sustentam a exigência de um clube que arrecadou mais de R$ 2 bilhões no último ano.
Abel Ferreira voltou a usar um expediente conhecido desde outubro de 2020. Quando quer contratações específicas, lança atletas da base no time principal. Alguns respondem rápido, outros sentem a pressão, o desentrosamento e a cobrança imediata. Endrick e Estêvão foram exceções claras. A maioria precisou recuar para o banco ou para a base.
O elenco sofreu nova reformulação. Weverton, Raphael Veiga, Micael, Facundo Torres e Aníbal Moreno não fazem mais parte do grupo principal. A única chegada foi Marlon Freitas, que deixou o Botafogo após insistência pessoal com John Textor. O cenário acendeu alertas internos.
A avaliação sobre a base também pesou. João Paulo Sampaio, coordenador do setor, não demonstrou otimismo com a safra atual. O entendimento foi de que reforços prontos seriam necessários para equilibrar o time.
Os pedidos por Arias e Nino são antigos. Antes mesmo do fim de 2025, os nomes já circulavam nos bastidores. As negociações seguiram o padrão conhecido: sondagens, propostas abaixo do mercado e espera. A diferença agora foi o ajuste final, com valores elevados para tentar fechar.
No caso de Nino, o contexto europeu influenciou. O Zenit não disputa competições como a Champions League por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. A menor exposição reduziu o apelo esportivo. O zagueiro de 28 anos se valorizou no clube russo, tornou-se titular absoluto e passou a considerar o retorno ao Brasil.
O Fluminense o havia vendido em 2023 por 5 milhões de euros, cerca de R$ 30 milhões. O valor atual é superior. As propostas do Palmeiras cresceram ao longo do tempo. Os números finais seguem sob sigilo, mas a progressão foi reconhecida. Leila Pereira autorizou o aumento, e o clima no Palestra Itália é de otimismo.
A leitura técnica foi objetiva. Zagueiros brasileiros de 28 anos raramente entram no radar de gigantes europeus sem perfil excepcional ou juventude extrema. O retorno ao Brasil apareceu como caminho natural. Para Abel, Nino forma dupla ideal com Gustavo Gómez.
A negociação por Arias envolveu cifras maiores. O Fluminense divulgou os R$ 154 milhões, equivalentes a 25 milhões de euros, pagos pelo Wolverhampton. Pelo contrato, o clube carioca teria prioridade se igualasse proposta de um clube brasileiro. A decisão foi não entrar no jogo.
O atacante apostou na Inglaterra como trampolim. Virou reserva do lanterna do Campeonato Inglês. A diretoria inglesa já planeja a temporada 2026/2027 na Segunda Divisão e busca fazer caixa. Arias passou a ser considerado dispensável.
O Wolverhampton pagou 22 milhões de euros, cerca de R$ 136 milhões, e aceita vender com lucro de 3 milhões de euros, aproximadamente R$ 18,5 milhões. O Palmeiras apresentou proposta considerada definitiva. O Fluminense deixou de ser obstáculo.
O clube paulista recebeu sinalização positiva no caso Nino e aguarda a definição por Arias. As negociações sempre foram possíveis. O tempo, porém, correu contra. Em 2025, o Palmeiras terminou sem títulos, resposta que o futebol costuma dar quando a tomada de decisão demora.
O mercado mostrou que esperar desvalorização funciona para clubes de capital curto. Para quem tem dinheiro e ambição, a conta costuma aparecer no placar. Pechinchar, desta vez, custou mais minutos do que reais.















