Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos nesta quinta-feira, vítima de complicações de câncer, segundo o site TMZ, encerrando a trajetória de um dos nomes mais influentes da história do hip hop.
Nascido no Bronx, em Nova York, no fim dos anos 1950, ele foi peça central na formação da cultura hip hop ainda nos anos 1970, organizando festas que ajudaram a transformar o movimento em fenômeno cultural nas ruas do sul do Bronx.
Antes da música, Bambaataa teve passagem pela gangue Black Spades, onde chegou ao posto de liderança. A partir dessa vivência, direcionou sua atuação para a cultura, organizando eventos que reuniam DJs, dançarinos e artistas urbanos.
Essas festas cresceram rapidamente e consolidaram os pilares do hip hop, incluindo música, dança e expressão visual, formando uma base que influenciaria gerações seguintes dentro e fora dos Estados Unidos.
O impacto global veio em 1982 com o lançamento de Planet Rock, faixa que alcançou a quarta posição na parada de R&B dos Estados Unidos e vendeu milhões de cópias.
A música combinou batidas eletrônicas da TR-808 com samples de Trans-Europe Express, do Kraftwerk, criando um som futurista que influenciou diretamente gêneros como techno, house e EDM.
Essa fusão entre hip hop e música eletrônica redefiniu o padrão sonoro da época e abriu caminho para novas vertentes musicais ao redor do mundo.
Planet Rock teve impacto direto na formação do funk carioca. A base rítmica da música inspirou as chamadas melôs dos bailes do Rio de Janeiro nos anos 80 e 90.
Essas produções locais, construídas sobre batidas eletrônicas semelhantes, evoluíram e se transformaram em sucessos nacionais, consolidando uma identidade própria dentro da música brasileira.
Em 1980, Bambaataa lançou o single Zulu Nation Throwdown, ligado à Universal Zulu Nation, coletivo que reunia rappers, grafiteiros, b-boys e outros representantes da cultura hip hop.
O grupo teve papel essencial na organização e expansão do movimento, promovendo valores culturais e sociais dentro das comunidades urbanas.
Em 1985, participou do álbum Sun City, projeto contra o apartheid que reuniu artistas como Run-D.M.C., U2 e Joey Ramone.
Esse trabalho reforçou o posicionamento político e cultural de Bambaataa, ampliando sua influência além da música.
Nos últimos anos, sua trajetória foi marcada por acusações de abuso sexual envolvendo casos das décadas de 1980 e 1990.
Em 2025, ele foi obrigado a pagar um acordo a um dos acusadores após decisão judicial à revelia, encerrando um dos processos ligados ao caso.
A morte de Afrika Bambaataa encerra uma trajetória que mistura inovação musical, influência global e controvérsias, mas mantém intacto o impacto direto que ele teve na criação do hip hop e na transformação da música moderna.