Em 2025, o aumento repentino de volume em uma das mamas levou a influenciadora Evelin Camargo a procurar atendimento médico e iniciar uma sequência de exames que resultou no diagnóstico de BIA-ALCL, um tipo raro de linfoma associado a implantes mamários, divulgado publicamente em vídeo nas redes sociais na segunda-feira, 2 de fevereiro.
Em 2019, após uma cirurgia de redução mamária, foram colocadas próteses de silicone para correção de simetria corporal. Seis anos depois, a assimetria reapareceu, desta vez acompanhada por aumento de um dos seios, o que motivou a busca por avaliação hospitalar. A suspeita inicial considerou a possibilidade de ruptura da prótese, hipótese descartada após exames de imagem.
Na ressonância magnética, os médicos identificaram que a prótese estava íntegra, sem fissuras ou vazamentos, mas havia acúmulo de líquido ao redor do implante. O achado foi classificado como seroma tardio, condição que exige investigação adicional quando surge anos após a cirurgia. Diante do resultado, foi indicada a realização de punção para biópsia.
A coleta do líquido ocorreu em 23 de dezembro de 2025. O material seguiu para análise laboratorial e os primeiros resultados foram liberados no início de janeiro. Para esclarecer o diagnóstico, foi solicitada uma imuno-histoquímica, exame complementar utilizado para identificar subtipos de tumores a partir de marcadores celulares específicos.
O laudo confirmou linfoma anaplásico de grandes células associado a implante mamário, conhecido pela sigla BIA-ALCL. Trata-se de um tipo raro de linfoma não Hodgkin que se desenvolve na cápsula fibrosa formada ao redor da prótese, e não no tecido mamário em si. O diagnóstico, embora pouco frequente, é reconhecido na literatura médica internacional.
Após a confirmação, a influenciadora realizou exames adicionais para determinar a extensão da doença. O estadiamento, procedimento que avalia se o linfoma está restrito ao local do implante ou se houve disseminação, indicou que o quadro estava limitado à cápsula da prótese, sem sinais de comprometimento de outros tecidos ou órgãos.
Com o resultado, foi definido o plano terapêutico. Nos casos em que o BIA-ALCL está confinado ao implante, a conduta indicada consiste na retirada da prótese e da cápsula ao redor, procedimento conhecido como explante. Não houve, até o momento do relato, indicação de quimioterapia ou radioterapia.
Segundo a CNN, o diagnóstico foi divulgado com o objetivo de compartilhar informação e alertar outras mulheres sobre sinais que merecem atenção após cirurgias com implantes mamários. O aumento de volume unilateral, especialmente anos após o procedimento, figura entre os principais sintomas relatados em casos semelhantes descritos em estudos clínicos.
A influenciadora reforçou que a condição é considerada extremamente rara e que a decisão de falar publicamente não teve como propósito gerar alarme ou desestimular o uso de próteses de silicone, mas ampliar o conhecimento sobre o tema e incentivar a busca por avaliação médica diante de alterações inesperadas.
O próximo passo envolve a realização do procedimento cirúrgico para retirada da prótese afetada, já definido como parte do tratamento, enquanto exames e acompanhamento médico seguem em andamento para monitorar a evolução do quadro clínico.