Chevrolet Tracker 2026 insiste na correia banhada a óleo: O pesadelo acabou?
Pontos Principais:
- O Tracker 2026 estreia com visual atualizado, faróis divididos e identidade alinhada aos SUVs globais da Chevrolet.
- A cabine ganha painel digital e central multimídia integrados, elevando a percepção de tecnologia e modernidade.
- Os motores turbo são mantidos, mas o consumo muda e a garantia passa a ser de cinco anos.
- Os preços sobem e colocam o SUV próximo de R$ 190 mil, mudando completamente o posicionamento do modelo.
A Chevrolet não mudou o Tracker 2026 porque quis. Mudou porque precisava. E essa diferença importa quando se olha com calma para a versão Premier 1.2 turbo e para o preço que ela passou a pedir.
O Tracker 2026 não quer mais parecer barato
O Chevrolet Tracker sempre foi um SUV de volume. Um carro pensado para vender muito, agradar rápido e não levantar discussões longas. O 2026 rompe parcialmente com isso. Ele ainda quer vender em escala, mas agora tenta convencer. Convencer de que evoluiu, de que amadureceu e, principalmente, de que merece custar o que custa.
Produzido em São Caetano do Sul (SP), o novo Tracker começa a chegar às lojas em julho de 2025. A faixa de preços, que vai de R$ 119.900 a R$ 190.590, já diz tudo o que o carro se propõe a ser. Não é mais a porta de entrada óbvia do segmento. É uma opção que exige reflexão.
O design diz mais do que a ficha técnica
Visualmente, a Chevrolet fez o que precisava fazer há tempo. O Tracker antigo era correto, mas apagado. O novo adota faróis divididos, grade mais alta e uma frente que tenta dialogar com SUVs maiores da marca. Não é um desenho ousado, mas é mais confiante. Ele ocupa espaço na rua de um jeito que o anterior não ocupava.
A traseira muda menos, mas o novo grafismo das lanternas ajuda a afastar a sensação de facelift preguiçoso. É um carro que claramente quer se distanciar da imagem de “SUV compacto simples”, especialmente quando estacionado ao lado de rivais como Hyundai Creta, Honda HR-V e Volkswagen T-Cross.
Por dentro, o Tracker finalmente conversa com o motorista
O interior sempre foi o ponto mais fraco do Tracker. Funcional, mas genérico. O 2026 muda esse jogo. O novo painel, com tela digital de 8 polegadas integrada à central multimídia de 11 polegadas, transforma a percepção do carro logo nos primeiros minutos.
Não é luxo, e nem tenta ser. Mas agora existe lógica, fluidez e uma sensação clara de projeto mais recente. A tela responde rápido, o sistema é intuitivo e o conjunto não parece improvisado. É o tipo de evolução que não aparece no anúncio, mas aparece depois de uma semana de uso.
A posição de dirigir continua sendo um acerto. Alta, com boa visibilidade e ajustes fáceis. O Tracker sempre foi confortável nesse ponto, e felizmente a Chevrolet não tentou reinventar o que já funcionava.
Equipamentos e segurança entram no padrão do segmento
O Tracker 2026 deixa de correr atrás e passa a acompanhar o pelotão em segurança ativa. Frenagem automática de emergência, alerta de colisão frontal e monitoramento de ponto cego entram a partir da versão LTZ. Todas as versões trazem seis airbags, controle de estabilidade e assistente de partida em rampa.
O OnStar segue como um diferencial real, não como item de marketing. É um sistema que só faz sentido quando é necessário, e exatamente por isso agrega valor ao pacote.
O motor 1.2 turbo faz o que se espera, nada além disso
Mecanicamente, não há revolução. O motor 1.2 turbo flex entrega 141 cv, trabalha com câmbio automático de seis marchas e leva o Tracker de 0 a 100 km/h em 10,6 segundos. Os números são corretos, não empolgam, mas também não decepcionam.
Na prática, o carro anda bem. Retomadas são seguras, ultrapassagens não exigem planejamento exagerado e o motor trabalha em rotações baixas na estrada. A primeira marcha longa suaviza o uso urbano, mas tira um pouco da sensação de prontidão em saídas mais rápidas.
A suspensão é claramente pensada para o Brasil. Filtra buracos, lida bem com lombadas e não transmite impactos secos para a cabine. Não é esportiva, nem pretende ser. O foco é conforto e previsibilidade.
Consumo e a conversa que nunca termina
Os números de consumo mostram 7,6 km/l na cidade com etanol e 13,7 km/l na estrada com gasolina no motor 1.2. O novo desenho frontal, mais vertical, cobra seu preço aerodinâmico. Não é um problema grave, mas aparece quando se compara com versões anteriores ou com alguns concorrentes diretos.
E então chegamos ao ponto mais sensível, a correia dentada banhada a óleo. Ela continua lá. A Chevrolet afirma que o material foi atualizado e reforça a importância da manutenção correta. Para tentar encerrar a discussão, ampliou a garantia para cinco anos. É um movimento necessário, mas que não apaga totalmente a desconfiança do mercado.
Preço alto muda completamente a conversa
A versão Premier 1.2 turbo custa R$ 189.590. Esse número muda tudo. Nessa faixa, o Tracker deixa de ser uma compra automática e passa a ser uma escolha comparada. A ausência de itens como freio de estacionamento eletrônico ou câmera 360 graus pesa mais do que pesaria em um carro de R$ 150 mil.
O Tracker 2026 evoluiu. Muito. Mas também subiu de patamar em preço. E isso exige que o comprador esteja disposto a aceitar um pacote equilibrado, não necessariamente o mais completo da categoria.
Qual o valor da Tracker 2026?
- AT 1.0 turbo: R$ 119.900
- LT 1.0 turbo: a partir de R$ 135.900
- LTZ 1.0 turbo: a partir de R$ 135.900
- Premier 1.2 turbo: R$ 189.590
- RS 1.2 turbo: R$ 190.590
- Edição 100 Anos (baseada na RS): R$ 190.590
O Tracker cresceu, mas não virou outro carro
O Tracker 2026 não tenta ser revolucionário. Ele tenta ser mais adulto. Corrige falhas antigas, melhora onde estava atrasado e preserva o que sempre funcionou. Não é o mais barato, não é o mais equipado e não é o mais eficiente. Mas é mais coerente do que nunca.
A pergunta que fica não é se o Tracker é bom. Ele é. A pergunta é se ele faz sentido para você, nesse preço, nesse mercado, hoje.














