Quem anda de moto em São Paulo já aprendeu que o começo do ano costuma ser pesado. IPVA, licenciamento, seguro, tudo chega junto. A partir de 1º de janeiro de 2026, essa lógica muda para a maioria dos motociclistas. Motos de até 180 cilindradas deixam de pagar IPVA, uma decisão que não ficou no discurso e já está aprovada.
A proposta foi aprovada pela Alesp em regime de urgência. O motivo é simples, se a votação atrasasse, a regra só valeria no ano seguinte. O governo estadual correu contra o calendário para garantir que a isenção já apareça no imposto de 2026. O texto é objetivo, só vale para motos com documentação regular, quem tem pendência continua pagando.
No início, o plano era mais tímido. A isenção ficaria limitada a motos de até 150 cc. Durante a tramitação, o teto subiu para 180 cc. Esse ajuste muda completamente o alcance da medida. É nesse intervalo que estão as motos mais vistas nas ruas, usadas para trabalhar, se deslocar e, em muitos casos, sustentar famílias inteiras.
Os números ajudam a sair da abstração. O próprio governo estima que até 4,3 milhões de motocicletas possam ser beneficiadas. Isso representa cerca de 76,3% da frota do estado de São Paulo, hoje calculada em 5,7 milhões de unidades. Não é um benefício de nicho, é uma mudança estrutural.
Antes da ampliação para 180 cc, o impacto fiscal estimado era de R$ 1,38 bilhão entre 2026 e 2028. Com mais modelos incluídos, esse valor tende a crescer. Ainda assim, o governo manteve a proposta. A leitura política é clara, abrir mão de arrecadação para aliviar um custo que pesa justamente sobre quem depende da moto no dia a dia.
Na prática, o IPVA deixa de ser aquela conta inevitável que aparece todo janeiro. Para milhões de pessoas, isso significa mais previsibilidade no orçamento e menos pressão financeira no início do ano. Não é um detalhe técnico, é uma mudança concreta na relação entre o motociclista e o imposto.
Ao isentar justamente os modelos mais populares, o estado reconhece algo que já é visível nas ruas. A moto deixou de ser exceção e passou a ser peça central da mobilidade urbana. A partir de 2026, para a maioria dos motociclistas paulistas, o IPVA deixa de ser rotina e vira lembrança.