A Honda decidiu ressuscitar a Transalp, e fez isso do jeito mais Honda possível: entregou uma bigtrail de média cilindrada que parece ter sido projetada para atravessar o país inteiro antes do café da manhã. A XL 750 Transalp 2026 desembarca no Brasil com a típica robustez japonesa e um motor que, embora não seja um canhão europeu, empurra a moto com aquela confiança silenciosa que só um bicilíndrico bem ajustado consegue transmitir.

O coração do equipamento é o bicilíndrico de 755 cm³, derivado da Hornet, que aqui trabalha com potência de 69,3 cv ajustada para emissões brasileiras e entrega de torque de 7,04 kgfm em médias rotações. Não é um número que faz você gritar, mas a verdade é que, no mundo real, esse virabrequim de 270° dá personalidade suficiente para a Transalp parecer viva, não uma máquina anêmica tentando sobreviver. O pacote eletrônico é generoso para uma moto desse porte, com modos Sport, Standard, Rain, Gravel e duas configurações User, além de ABS configurável. Nada disso é exagerado, serve exatamente para o que um brasileiro realmente enfrenta em asfalto ruim, terra e trânsito engarrafado.
E aí entra o lado prático, aquele que todo piloto raiz adora odiar mas secretamente respeita: o chassi Diamond, a suspensão Showa de 43 mm e o Pro-Link na traseira fazem a moto segurar firme tanto em buracos quanto em curvas rápidas. Some rodas raiadas de 21 e 18 polegadas e pronto, a Transalp está preparada para encarar desde viagens longas até as aventuras improvisadas que começam com “acho que dá para passar aqui”. O tanque de 16,6 litros ajuda nessa ambição, entregando autonomia condizente com motos voltadas a longas distâncias, o que é essencial quando você está no meio do nada e seu celular insiste em mostrar “sem sinal”.
O estilo remete diretamente à Africa Twin, o que é ótimo, porque ninguém acorda querendo pilotar algo sem personalidade. A ergonomia, o painel TFT de 5 polegadas e a lista grande de acessórios deixam claro que a Honda sabe exatamente quem é o público, gente que viaja, gente que coloca bagagem demais, gente que tenta pilotar no barro e depois finge que foi de propósito.
Oferecida por R$ 65.545 na base de São Paulo, a Transalp cai numa faixa de preço ocupada por rivais que prometem mundos e fundos, mas poucas entregam o mesmo pacote equilibrado. A garantia de três anos e o Honda Assistance rodando pela América do Sul completam o conjunto. No fim, não é uma moto que tenta provar algo com números exagerados; é uma moto que simplesmente funciona, e funciona bem. E, se você conhece o universo das bigtrails, sabe que isso vale mais do que qualquer grito ou explosão pirotécnica.