A Ducati decidiu que a Panigale V4 2026 não precisava apenas ser rápida, precisava parecer que está tentando escapar da atmosfera. O resultado é uma superesportiva que entrega potência máxima de 216 cavalos a 13.500 rpm com torque de 12,3 mkgf e que, ao acelerar, dá a sensação de que a rua ficou curta demais.
O motor V4 Desmosedici Stradale continua lá, firme, roncando como se estivesse ofendido por ter de rodar em vias públicas. E quando alguém resolve instalar o kit Akrapovič, a moto libera 228 cavalos em configuração exclusiva para pista, transformando qualquer retão em algo que exige nervos muito mais fortes que o guidão.
A Ducati também mexeu na aerodinâmica, e não foi pouco. A carenagem com arrasto reduzido, as asas de perfil duplo e a rabeta mais larga trabalham juntas para manter tudo colado no chão. A marca diz que reduziu o arrasto em 4%, mas o mais impressionante é como o novo quadro Front Frame e o braço oscilante duplo fazem a moto parecer conectada ao asfalto por vontade própria.
No pacote eletrônico, o destaque é o DVO, que cria um modelo virtual da moto para prever forças e corrigir tudo antes que o piloto perceba. Somando isso ao controle de tração, derrapagem, empinada e ao painel TFT com modo Track, a sensação é de ter uma equipe de engenheiros dentro da motocicleta, cada um tentando impedir você de fazer algo idiota.
O sistema de freios segue a mesma linha. As pinças Brembo Hypure e o Race eCBS atuam com seriedade, entregando controle avançado de frenagem aplicado a uso esportivo e transformando freadas fortes em algo estranhamente civilizado, mesmo quando a moto vem cuspindo rotações como se estivesse atrasada para um incêndio.
As versões deixam claro para que cada uma serve. A Panigale V4 de entrada usa suspensão Showa e 191 kg, perfeita para quem quer velocidade com um pouco mais de tolerância no dia a dia. A V4 S, com suspensão eletrônica Öhlins, rodas forjadas e 187 kg, é para quem acorda pensando em diminuir décimos de segundo na própria vida.
Com preços de R$ 169.990 para a V4 e R$ 209.990 para a V4 S, a Ducati traz ao Brasil uma motocicleta que não tenta convencer ninguém. Ela simplesmente chega, liga o motor, despeja desempenho de superbike com DNA de MotoGP e deixa claro que, se existe algo parecido por aí, provavelmente não tem a mesma atitude.