A cápsula Orion pousou no Oceano Pacífico às 21h07, horário de Brasília, após reduzir a velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h, encerrando com sucesso a missão Artemis II, a primeira tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos.
Durante a reentrada, o escudo térmico enfrentou temperaturas superiores a 2.700°C, enquanto os astronautas passaram por forças próximas a quatro vezes a gravidade da Terra, em uma das fases mais críticas da missão.
A sequência começou às 20h33 com a separação do módulo de serviço, expondo o escudo térmico. Minutos depois, às 20h53, a cápsula atingiu 122 km de altitude e iniciou a reentrada, momento em que ocorreu o apagão de comunicação.
A maior desaceleração aconteceu nesse trecho, quando o atrito com a atmosfera funcionou como freio natural. Em seguida, a cerca de 6,7 km de altitude, foram abertos os paraquedas de estabilização.
Pouco depois, a 1,8 km, os três paraquedas principais entraram em ação, reduzindo a velocidade até o impacto controlado no mar, conhecido como splashdown.
Equipes de resgate da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos chegaram rapidamente ao local. A retirada dos astronautas ocorreu por volta das 22h.
A tripulação foi levada de helicóptero ao navio militar USS John P. Murtha, onde passou pelas primeiras avaliações médicas ainda no mar. Segundo o diretor de voo Rick Henfling, todos estavam bem, saudáveis e em bom estado.
A expectativa é que o grupo retorne a Houston ainda neste sábado para acompanhamento médico completo.
Quatro astronautas integraram a missão: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen.
Ao longo de cerca de dez dias, eles percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço.
A missão marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970.
Diferente das missões antigas, o objetivo não foi pousar, mas testar todos os sistemas essenciais para futuras viagens, incluindo a cápsula Orion, o foguete Space Launch System e protocolos de segurança.
O voo incluiu órbita ao redor da Lua e retorno em alta velocidade, considerado um dos testes mais complexos da engenharia espacial atual.
Com os dados coletados, a próxima etapa será a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve levar astronautas de volta à superfície lunar.
A expectativa inclui marcos inéditos, como a primeira mulher e a primeira pessoa negra na Lua, além do início de uma presença mais contínua no satélite.
A Lua passa a ser tratada como base estratégica para futuras missões, incluindo viagens a Marte, consolidando uma nova fase da exploração espacial com foco em permanência e expansão humana fora da Terra.