Cuba está entrando em colapso energético: Apagões, menos petróleo da Venezuela e filas por combustível revelam a dimensão da crise

Cuba enfrenta apagões, escassez de combustível e pressão no mercado de energia após redução de petróleo venezuelano e falhas em usinas.
Publicado por em Mundo dia
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Cuba entrou em uma fase mais severa de crise energética em março de 2026, marcada por apagões em larga escala, escassez de combustível e dificuldades crescentes para sustentar a geração elétrica. O problema, que já vinha sendo registrado nos últimos anos, ganhou visibilidade após novas falhas em usinas e redução no fornecimento de petróleo importado.

A situação afeta diretamente o cotidiano da população. Em diferentes regiões da ilha, interrupções prolongadas de energia têm alterado o funcionamento do transporte, prejudicado a conservação de alimentos e levado famílias a recorrer a lenha ou carvão para cozinhar.

O cenário atual resulta da combinação de vários fatores estruturais, incluindo infraestrutura envelhecida, dependência de combustíveis importados e um mercado internacional de energia cada vez mais pressionado.

Apagão expôs fragilidade do sistema elétrico

No início de março de 2026, uma falha na termoelétrica Antonio Guiteras provocou um apagão que atingiu grande parte do oeste cubano, incluindo a capital Havana.

A reconexão ocorreu de forma gradual, mas o episódio evidenciou a fragilidade do sistema energético do país. Cuba opera com um parque termoelétrico antigo e com margem limitada para absorver interrupções de geração.

Quando uma unidade importante deixa de funcionar, o impacto se espalha rapidamente pela rede elétrica.

  • usinas com infraestrutura envelhecida
  • dependência elevada de combustível importado
  • capacidade limitada de compensar falhas técnicas

Essa combinação torna o sistema vulnerável a interrupções que podem afetar grandes áreas do país.

Redução do petróleo venezuelano agravou a situação

A diminuição do envio de petróleo da Venezuela aparece como um dos elementos centrais para entender o agravamento da crise.

Durante anos, o combustível venezuelano teve papel fundamental no abastecimento energético cubano. Com a redução desses fluxos, o governo passou a operar com menos margem para manter usinas em funcionamento e sustentar o transporte interno.

A escassez também se reflete no abastecimento de combustíveis.

Relatos recentes apontam longas filas em postos e racionamento severo de gasolina e diesel, evidenciando a dificuldade do país para garantir o fornecimento regular.

Importações de energia encolheram

Dados citados por agências internacionais indicam que a situação já vinha se deteriorando desde 2025. Importações de petróleo provenientes do México, por exemplo, sofreram forte queda.

A redução das importações ocorreu em paralelo ao aumento dos apagões. Em Havana, cortes de energia chegaram a ultrapassar nove horas em alguns períodos, enquanto regiões do interior passaram a receber eletricidade apenas por poucas horas diárias.

Impacto direto na vida cotidiana

A crise energética ultrapassou o campo técnico e passou a afetar a rotina da população.

Em diversos locais, a falta de energia elétrica obrigou famílias a buscar alternativas para atividades básicas.

  • uso de lenha ou carvão para cozinhar
  • dificuldade para conservar alimentos
  • restrições no transporte público e privado

A escassez de combustível também ampliou a pressão sobre serviços essenciais e logística interna.

Mercado global de energia aumenta pressão

O contexto internacional contribui para ampliar as dificuldades. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e aumentou a volatilidade no mercado global de energia.

Para países com limitações financeiras e forte dependência de importações, como Cuba, esse cenário torna ainda mais difícil garantir fornecimento regular de combustível.

Mesmo com sinais de apoio energético vindos de parceiros internacionais, a capacidade de resposta permanece limitada diante de um sistema elétrico fragilizado.

A crise atual reúne fatores estruturais e conjunturais, desde infraestrutura envelhecida até mudanças no fluxo de petróleo internacional.

Sem expansão consistente da geração ou aumento no fornecimento de combustível, o sistema energético cubano segue operando com margem reduzida, o que mantém o país exposto a novos apagões e novos episódios de racionamento nos próximos meses.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.