Greve na Argentina Hoje afeta o Brasil; veja os motivos da manifestações desta quinta 19/02/2026
A greve geral convocada na Argentina contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei provocou cancelamentos de voos no Brasil nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, e expôs o grau de tensão política que envolve a tramitação do projeto no Congresso argentino.
A paralisação foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados iniciou a discussão da proposta já aprovada pelo Senado. A expectativa do governo é votar o texto no plenário até 25 de fevereiro e concluir a aprovação até 1º de março, data de abertura do período ordinário do Legislativo.
Cancelamentos no Brasil após paralisação nos aeroportos argentinos
Em São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, ao menos dois voos da Latam com destino a Buenos Aires foram cancelados nas primeiras horas da manhã. A Gol confirmou que precisou suspender operações programadas para cidades como Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário, citando impossibilidade de funcionamento aeroportuário na Argentina.
No Rio de Janeiro, o RIOgaleão registrou o cancelamento de 16 voos de chegada e 15 de partida com origem ou destino na Argentina, embora tenha informado que a operação geral do terminal seguiu normal. Em Brasília, um voo previsto para 9h foi cancelado. No Rio Grande do Sul, dois voos foram suspensos, um partindo do Aeroparque Jorge Newbery e outro do Aeroporto Salgado Filho.
Em Florianópolis, ao menos 32 voos na rota com a Argentina foram cancelados desde quarta-feira, segundo a administração local. Já no Paraná e em Minas Gerais não houve impacto relevante, pois não havia voos programados para esta quinta-feira.
Aerolíneas Argentinas anuncia 255 cancelamentos
No Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, em Ezeiza, 18 voos constavam como cancelados até a publicação das informações oficiais. A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, estimando que cerca de 31 mil passageiros seriam afetados. A empresa informou ainda que aplicará descontos salariais aos funcionários que aderirem à paralisação.
Reforma trabalhista altera regras de férias, jornada e demissões
O projeto em discussão revisa pontos centrais da legislação trabalhista argentina, com mudanças que alcançam regras vigentes desde os anos 1970. Entre os principais eixos estão a flexibilização de contratos, ampliação do período de experiência para até seis meses, com possibilidade de extensão em alguns casos, e a permissão de jornadas de até 12 horas diárias mediante compensação.
Também estão previstas alterações no cálculo de indenizações por demissão, possibilidade de pagamento parcelado dessas verbas, novas regras para negociação coletiva e restrições a greves em setores considerados essenciais, que deverão manter entre 50% e 75% do serviço em funcionamento.
Segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios do Instituto Nacional de Estatística e Censos, referentes ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o equivalente a uma taxa de desocupação de 6,6%.
Governo Javier Milei impõe medidas de segurança à imprensa
Além da paralisação, são esperados protestos nos arredores do Congresso em Buenos Aires. O Ministério da Segurança recomendou que veículos de comunicação adotem medidas específicas, evitando posicionamento entre forças policiais e possíveis focos de violência, e anunciou a criação de zona exclusiva para a imprensa em ruas laterais da praça em frente ao Parlamento.
A decisão foi anunciada após confrontos registrados na semana anterior, quando milhares de manifestantes protestaram durante a votação no Senado, resultando em cerca de 30 detidos. O governo afirmou que as forças de segurança agirão diante de atos de violência, reforçando o clima de confronto que marca a tramitação da reforma trabalhista no país.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.














