Neve na Rússia: Nevasca de 3 metros “engole” carros e motos, trava motores e obriga motoristas a abandonarem tudo na rua

Caos na neve! Veja os carros soterrados por 3 metros de gelo na Rússia, entenda os danos mecânicos irreversíveis e qual veículo conseguiu sobreviver.
Publicado por em Mundo dia | Atualizado em

Pontos Principais:

  • Acúmulo de neve acima de 3 metros bloqueou ruas e soterrou veículos em cidades do extremo leste russo.
  • Gelo e baixa visibilidade transformaram trajetos curtos em deslocamentos de mais de uma hora.
  • Apenas caminhões e modelos com tração integral conseguiram circular em parte das vias.
  • Quedas de blocos de neve de telhados atingiram áreas de estacionamento e deixaram vítimas.
  • Estado de emergência foi decretado para liberar estradas e resgatar moradores ilhados.
As tempestades provocaram o fechamento de escolas, a paralisação do transporte público e o bloqueio de rodovias - reprodução / X
As tempestades provocaram o fechamento de escolas, a paralisação do transporte público e o bloqueio de rodovias – reprodução / X

Petropavlovsk-Kamchatsky parou. A neve cobriu prédios, bloqueou ruas e expôs um limite que todo motorista conhece: quando a natureza fecha a estrada, não há tração que resolva. No extremo leste russo, o acúmulo passou de 3 metros em alguns pontos, soterrando carros, engolindo cruzamentos e forçando autoridades a decretarem estado de emergência (veja o vídeo).

Para quem estava ao volante, a rotina virou um teste físico e psicológico. Entradas de condomínios desapareceram, vagas de estacionamento sumiram sob paredes brancas e a simples tarefa de tirar o carro da garagem passou a exigir pás, guinchos e ajuda coletiva. Em bairros inteiros, apenas caminhões altos e veículos de tração integral conseguiam se mover. Sedãs e hatches comuns ficaram literalmente presos no gelo.

“Quando a neve passa do para-choque, o carro deixa de ser meio de transporte e vira obstáculo.”

O impacto foi imediato no trânsito urbano. Ônibus não conseguiam vencer os montes de neve e as prefeituras improvisaram transporte com veículos fora de estrada. Motoristas relatavam percursos de 2 km que levavam mais de 1 hora, com risco constante de derrapagens em placas de gelo formadas pelo derretimento durante o dia e o congelamento à noite.

Quando a rua vira trilha off-road

Nevasca histórica com mais de 3 metros de neve soterra carros, paralisa o transporte e obriga motoristas a abandonar veículos em cidades do extremo leste russo.
Nevasca histórica com mais de 3 metros de neve soterra carros, paralisa o transporte e obriga motoristas a abandonar veículos em cidades do extremo leste russo.

Na prática, a nevasca escancarou a diferença entre tipos de veículos:

  • Picapes e SUVs 4×4 foram os únicos a circular com alguma regularidade.
  • Carros baixos encalhavam ao raspar o assoalho nos montes compactados.
  • Pneus de inverno fizeram diferença real, mas não milagres em gelo polido.
  • Controle de estabilidade evitou rodadas em baixa velocidade, mas não impediu atolamentos.

Estacionar virou outro drama. Além do risco de ficar ilhado, havia o perigo vindo de cima. Blocos de neve e gelo se desprenderam de telhados e atingiram áreas onde carros costumam parar. Foi nesse cenário que ocorreram as mortes registradas, resultado direto da falta de limpeza preventiva em prédios.

O custo invisível para quem dirige

Além do tempo perdido, motoristas passaram a lidar com danos mecânicos típicos de frio extremo: baterias descarregadas, portas congeladas, freios travados e sensores cobertos por gelo, inutilizando assistências eletrônicas.

Problema Consequência direta
Bateria Partidas falhando abaixo de -15°C
Combustível Consumo até 30% maior em marcha lenta prolongada
Freios Formação de gelo nos discos após estacionar
Suspensão Danos por impacto em blocos compactados de neve

O que essa nevasca ensina a quem dirige no Brasil

Mesmo distante da realidade tropical, o episódio russo deixa lições claras para qualquer motorista:

  1. Altura livre do solo importa quando o piso some.
  2. Tração nas quatro rodas não é luxo em clima extremo, é condição de mobilidade.
  3. Pneus certos valem mais que potência.
  4. Planejamento evita ficar preso quando a cidade para.

No fim, a nevasca de 2026 mostrou algo que ficha técnica nenhuma traduz: carro não é só máquina, é abrigo, ferramenta e, em situações-limite, linha tênue entre seguir em frente ou ficar isolado. Para os motoristas russos, dirigir deixou de ser rotina e virou resistência.

Mesmo sem neve, o frio e o gelo fino já mudam o jogo para quem dirige no Brasil

No Brasil, a neve é rara, mas madrugadas geladas no Sul e no Sudeste já formam camadas finas de gelo no asfalto, nos vidros e nas partes metálicas do carro, criando armadilhas silenciosas para a condução e acelerando o desgaste mecânico e estético do veículo.

Cuidados essenciais em dias de frio intenso e formação de gelo

  • Pista fria e lisa nas primeiras horas da manhã, especialmente em pontes e viadutos
  • Distância maior de frenagem com asfalto gelado
  • Pneus com calibragem correta, pois a pressão cai no frio
  • Vidros com orvalho congelado que reduz a visibilidade
  • Palhetas ressecadas que riscam o para-brisa
  • Faróis e lanternas embaçados por condensação
  • Bateria com perda de eficiência em temperaturas baixas
  • Óleo do motor mais viscoso na partida a frio
  • Freios com resposta irregular nos primeiros quilômetros
  • Borrachas de portas e janelas ressecadas e ruidosas
  • Pintura mais sensível a microtrincas por choque térmico
  • Acúmulo de gelo em grades e entradas de ar
  • Sensores de estacionamento com leitura prejudicada por umidade
  • Ar-condicionado sobrecarregado para desembaçar os vidros
  • Risco de corrosão precoce em partes metálicas expostas à umidade gelada

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.