A prática de vender plasma sanguíneo como forma de renda ganhou escala nos Estados Unidos e passou a atingir não apenas pessoas em situação extrema, mas também trabalhadores com emprego formal e renda estável, segundo reportagem baseada em dados do The New York Times.
O modelo é simples. O doador recebe entre US$ 60 e US$ 70 por sessão, com possibilidade de doar até duas vezes por semana. Na prática, isso permite ganhos mensais de até US$ 600, cerca de R$ 3,1 mil.
Esse dinheiro costuma ser usado para despesas básicas, como combustível, supermercado e contas médicas, funcionando como complemento direto ao orçamento.
A mudança mais visível não está no valor, mas no perfil de quem participa. O que antes era associado a situações de vulnerabilidade passou a incluir profissionais de tecnologia, professores, enfermeiros e aposentados.
A reportagem aponta que muitos desses trabalhadores não imaginavam recorrer a esse tipo de renda até pouco tempo atrás, mas passaram a enxergar a prática como um segundo trabalho.
O dinheiro ajuda a pagar gasolina, supermercado ou guardar para emergências.
O crescimento não ocorre por acaso. O plasma é matéria-prima essencial para medicamentos usados no tratamento de doenças graves, como imunodeficiências e distúrbios de coagulação.
Os Estados Unidos concentram cerca de 70% de todo o plasma coletado no mundo, impulsionados pela permissão de pagamento aos doadores.
Outro sinal da mudança está na localização dos centros de coleta. Antes concentrados em regiões mais pobres, esses espaços começaram a aparecer em bairros de classe média e até em áreas mais valorizadas.
Estudos citados mostram que mais de 100 unidades foram abertas nesses locais desde 2021, incluindo regiões próximas a academias, escritórios e zonas residenciais.
O procedimento segue etapas definidas, com triagem inicial, checagem de saúde e coleta do plasma, que pode chegar a cerca de um litro por sessão.
O pagamento costuma ser feito em cartões pré-pagos, com bônus para frequência ou indicação de novos participantes.
O avanço da venda de plasma está diretamente ligado ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos, enquanto salários permanecem estagnados.
Mesmo pessoas empregadas relatam dificuldade para cobrir despesas como moradia, saúde e alimentação, recorrendo ao plasma para evitar dívidas ou manter o padrão de vida.
Dados citados indicam que a presença de centros de coleta pode reduzir em até 20% a busca por empréstimos de curto prazo entre jovens, funcionando como alternativa imediata de renda.
Ainda assim, empresas do setor já avaliam reduzir pagamentos ao mesmo tempo em que investem em tecnologia para aumentar a eficiência da coleta, movimento que ocorre em paralelo à expansão de centros em novas regiões e à manutenção da demanda global por plasma.