Reforma trabalhista de Milei na Argentina é aprovada no Senado

Com 42 votos a favor, Senado argentino avaliza proposta que flexibiliza contratos em meio a crise e perda de empregos.
Publicado por em Mundo dia
Reforma trabalhista de Milei na Argentina é aprovada no Senado
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A reforma trabalhista do presidente argentino Javier Milei foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (12) pelo Senado, depois de horas de debate e sob forte clima de tensão nas ruas de Buenos Aires. O projeto recebeu 42 votos favoráveis e 30 contrários e agora segue para a Câmara dos Deputados. O governo quer que o texto vire lei antes de 1º de março, data de abertura das sessões ordinárias do Congresso.

A proposta flexibiliza contratos de trabalho, reduz valores de indenizações e facilita demissões. Para a Casa Rosada, trata-se de uma resposta a um mercado marcado por informalidade elevada, hoje estimada em 40% da força de trabalho. Para a oposição e os sindicatos, é um ataque direto a direitos históricos em um país que enfrenta estagnação econômica e queda na produção industrial.

Reforma trabalhista de Milei avança em meio a crise econômica e desemprego

Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, cerca de 300 mil empregos formais foram perdidos, sobretudo na construção civil, na indústria e nas economias regionais. O governo sustenta que a rigidez da legislação é parte do problema e que a modernização das regras pode estimular contratações.

O texto aprovado passou por cerca de 30 alterações em relação à versão original, estratégia adotada para garantir maioria e acelerar a tramitação na Câmara. Ainda assim, o placar mostrou um Senado dividido.

Item Informação
Votação no Senado 42 a favor, 30 contra
Informalidade 40% da força de trabalho
Empregos formais perdidos aprox. 300 mil desde 2023

Protestos e confronto nas proximidades do Congresso

Na quarta-feira (11), enquanto os senadores discutiam o projeto, manifestantes e policiais entraram em confronto nas imediações do Congresso Nacional, em Buenos Aires. Segundo o jornal Clarín, as tensões começaram quando agentes tentaram confiscar bandeiras de grupos de esquerda e utilizaram spray de pimenta contra manifestantes.

O episódio expôs o tamanho da resistência social à reforma, que mobiliza centrais sindicais e setores industriais.

Empresários apoiam, sindicatos contestam

Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA), criticou a estratégia econômica do governo. Segundo ele, 18.000 companhias fecharam nos últimos dois anos, resultado que atribui à abertura indiscriminada das importações.

Já a senadora Carolina Losada, aliada de Milei, afirmou que a reforma deixará empresários e trabalhadores satisfeitos, defendendo que a mudança cria ambiente mais previsível para investimentos.

A disputa em torno da reforma não é apenas jurídica. É simbólica. Para o governo, ela representa ruptura com um modelo considerado engessado. Para a oposição, é a consolidação de um período de perdas salariais, desemprego e incerteza. O que está em jogo é o desenho do mercado de trabalho argentino nos próximos anos.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.