Uma startup chinesa apresentou nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, um robô humanoide capaz de manter a pele aquecida entre 32°C e 36°C, reproduzir microexpressões faciais e interagir com pessoas em tempo real por meio de inteligência artificial integrada. Batizada de Moya, a máquina foi exibida ao público como um dos projetos mais ambiciosos da robótica humanoide no país.
O anúncio foi feito pela DroidUp, que classificou o modelo como o primeiro robô de IA totalmente incorporado e biomimético já apresentado pela empresa. A Moya foi descrita como um sistema que combina estrutura esquelética própria, sensores térmicos, câmeras posicionadas atrás dos olhos e software de IA capaz de interpretar estímulos humanos e responder com expressões faciais sutis.
A temperatura corporal foi apontada como um dos principais diferenciais do projeto. Segundo a empresa, a pele sintética mantém calor semelhante ao humano, variando de 32°C a 36°C, o que altera de forma direta a percepção de contato durante interações próximas. As câmeras oculares permitem leitura do ambiente e reconhecimento de pessoas, enquanto o sistema de controle facial produz movimentos nos músculos artificiais que simulam reações emocionais.
A estrutura interna utiliza o esqueleto Walker 3, evolução de um projeto anterior da companhia. Esse mesmo conjunto estrutural, segundo a DroidUp, esteve presente em um robô que conquistou medalha de bronze na primeira maratona de robôs humanoides do mundo. No caso da Moya, o esqueleto foi adaptado para sustentar tecidos sintéticos e permitir movimentos mais contínuos.
A empresa afirma que o padrão de locomoção atinge uma taxa de precisão de 92%, embora não tenha divulgado detalhes sobre a metodologia usada para chegar a esse número. Na demonstração pública, os passos foram descritos como mais naturais do que os de modelos anteriores, ainda que observadores tenham notado certa rigidez e um ritmo artificial em deslocamentos mais longos.
A interação com humanos ocorre por meio de uma IA embarcada, responsável por interpretar perguntas, reconhecer rostos e responder com falas e microexpressões. O sistema permite ajustes de postura, inclinação da cabeça e movimentos faciais sincronizados com a fala, recurso que a empresa considera essencial para reduzir a sensação de estranhamento durante o contato direto.
A DroidUp indicou que a Moya foi projetada para atuar em ambientes controlados, como estações de trem, bancos, museus e centros comerciais. Entre as aplicações citadas estão atendimento ao público, orientação de visitantes e suporte em serviços diários. A empresa também mencionou possíveis usos nas áreas de saúde e educação, sem detalhar protocolos ou parcerias já firmadas.
O preço estimado do robô foi fixado em 1,2 milhão de yuans, valor equivalente a cerca de R$ 904 mil na conversão direta. O lançamento comercial está previsto para o fim de 2026, inicialmente voltado ao mercado chinês, com possibilidade de expansão internacional conforme a demanda e a capacidade de produção.
A apresentação da Moya ocorre em um contexto de aceleração do investimento chinês em robótica humanoide, com empresas de tecnologia e startups disputando espaço em aplicações que aproximam a inteligência artificial do mundo físico. O setor tem avançado em testes públicos, enquanto fabricantes ainda ajustam desempenho, custo e aceitação social.
Nos bastidores, a DroidUp informou que novos ciclos de testes estão em andamento, com ajustes no software de interação e na fluidez dos movimentos, enquanto negocia demonstrações em espaços públicos antes da definição do cronograma final de produção em escala.