Xi Jinping afirmou de forma direta que a China absolutamente não tolerará a independência de Taiwan, classificando o movimento como a principal ameaça à estabilidade regional. A declaração foi feita durante reunião no Grande Salão do Povo, em Pequim, com a líder da oposição taiwanesa Cheng Li-wun.
O dirigente chinês reforçou o princípio de uma só China e disse que a aproximação entre os dois lados do estreito é inevitável. Segundo ele, há confiança total de que a reunificação ocorrerá como parte da história, sem margem para ruptura institucional da ilha.
A reunião marca a primeira visita de um líder do Kuomintang à China em uma década, sendo a última em 2016. Cheng Li-wun classificou a viagem como uma missão de paz, tentando reduzir tensões em um cenário de pressão militar crescente de Pequim.
Apesar do discurso conciliador, a visita gerou críticas internas em Taiwan. O partido governista acusa a oposição de proximidade excessiva com a China, especialmente porque Pequim se recusa a dialogar com o atual presidente Lai Ching-te, considerado separatista pelo regime chinês.
A China intensificou significativamente sua presença militar na região nos últimos anos. Exercícios com caças e navios de guerra ocorrem quase diariamente nas proximidades da ilha, elevando o risco de conflito e aumentando a tensão no estreito de Taiwan.
O próprio presidente taiwanês afirmou que essas ações prejudicam diretamente a estabilidade regional. A estratégia chinesa combina pressão militar constante com isolamento político do governo eleito em Taiwan.
O Parlamento de Taiwan está travado há meses em torno de um pacote de defesa de US$ 39 bilhões, equivalente a cerca de R$ 197 bilhões. A oposição, incluindo o Kuomintang, bloqueia o avanço da proposta apresentada pelo governo.
Cheng Li-wun criticou o plano, afirmando que Taiwan não deve funcionar como um caixa eletrônico. Em alternativa, o partido propõe um investimento menor, de US$ 12 bilhões em armas dos Estados Unidos, com possibilidade de expansão futura.
Os Estados Unidos pressionam parlamentares taiwaneses a aprovarem compras de armamentos, incluindo equipamentos militares americanos, como forma de dissuadir um possível ataque da China. A estratégia é fortalecer a capacidade defensiva da ilha.
O tema ganha ainda mais relevância porque o presidente Donald Trump tem viagem prevista a Pequim no próximo mês, onde participará de uma cúpula com Xi Jinping, podendo influenciar diretamente o equilíbrio geopolítico na região.
Autoridades taiwanesas reforçam que apenas o povo da ilha pode determinar seu futuro político. O governo defende que qualquer diferença com a China deve ser resolvida de forma pacífica, sem intimidação militar ou interferência externa.
O impasse permanece sem solução, com a China pressionando pela reunificação e Taiwan reafirmando sua autonomia democrática, o que mantém o cenário de tensão constante no leste asiático.