A inteligência artificial pode acabar com empresas inteiras? Entenda por que investidores começaram a temer uma nova destruição no mercado
O avanço da inteligência artificial começa a provocar um novo tipo de preocupação nos mercados financeiros. Durante décadas, o debate sobre inovação tecnológica se concentrou no impacto sobre empregos. Agora, investidores e economistas passaram a considerar um cenário mais amplo, em que empresas inteiras podem perder espaço diante da velocidade das mudanças provocadas pela nova tecnologia.
A discussão ganhou força em relatórios de mercado e estudos acadêmicos que analisam os efeitos potenciais da inteligência artificial sobre produtividade, estrutura corporativa e dinâmica competitiva.
Transformações tecnológicas já eliminaram setores no passado
Economistas lembram que grandes revoluções tecnológicas costumam provocar mudanças profundas na economia. O avanço da tecnologia da informação nos anos 1990, por exemplo, elevou a produtividade nos Estados Unidos e impulsionou o crescimento econômico por vários anos.
Esse processo também tornou alguns modelos de negócio obsoletos.
Transformações tecnológicas já eliminaram setores inteiros ao longo da história econômica.
Agências de viagem tradicionais, corretoras de ações presenciais, anúncios classificados em jornais e locadoras de vídeo são frequentemente citados como exemplos de atividades que perderam relevância após a expansão da internet.
IA pode atingir áreas maiores da economia
Para especialistas em tecnologia e economia, a inteligência artificial pode provocar mudanças ainda mais amplas. Diferentemente da internet, que alterou principalmente a forma de distribuir informação, a IA tem potencial para transformar processos de produção intelectual.
Anton Korinek, pesquisador da Universidade da Virgínia, avalia que o impacto pode atingir áreas mais amplas da atividade econômica.
- Análise de dados e relatórios financeiros
- Serviços administrativos
- Produção de conteúdo
- Atendimento ao cliente
- Programação e tecnologia
Essas áreas concentram grande parte do trabalho de escritório nas economias modernas.
Produtividade é a promessa central da tecnologia
Apesar das preocupações, economistas afirmam que o principal efeito esperado da inteligência artificial é o aumento da produtividade. Esse indicador mede quanto os trabalhadores conseguem produzir utilizando ferramentas tecnológicas disponíveis.
A história econômica mostra que novas tecnologias costumam elevar a produtividade e impulsionar o crescimento no longo prazo.
| Crescimento médio da produtividade desde 2023 | 2,6% |
| Média da década até 2019 | aproximadamente metade desse nível |
Dados recentes indicam que a produtividade nos Estados Unidos tem apresentado aceleração desde o período posterior à pandemia.
Investidores monitoram impactos nos mercados
Mesmo com o debate sobre possíveis rupturas, os mercados financeiros ainda não demonstram sinais de impacto estrutural provocado pela inteligência artificial.
Desde o lançamento de sistemas avançados de IA em 2022, o índice S&P 500 acumulou forte valorização, impulsionado principalmente por empresas de tecnologia e fornecedores de infraestrutura digital.
Gigantes do setor passaram a concentrar grande parte dos ganhos do mercado, incluindo companhias que desenvolvem chips, softwares e plataformas de inteligência artificial.
Casos recentes mostram possíveis mudanças
Alguns episódios recentes ilustram como a tecnologia pode alterar rapidamente expectativas sobre determinados setores.
Uma startup de inteligência artificial afirmou recentemente que sua tecnologia pode automatizar tarefas que antes exigiam equipes numerosas de consultores para atualizar sistemas baseados na linguagem de programação Cobol.
A declaração provocou reação imediata no mercado. As ações da empresa responsável por grande parte desses sistemas registraram forte queda antes de recuperarem parte das perdas.
Para economistas, esses movimentos refletem um processo conhecido na teoria econômica como destruição criativa.
A destruição criativa descreve como novas tecnologias substituem modelos de negócio antigos, abrindo espaço para novas indústrias.
O conceito foi formulado pelo economista Joseph Schumpeter para explicar a dinâmica do capitalismo e a forma como a inovação reorganiza mercados ao longo do tempo.
Transição tecnológica pode gerar volatilidade
Especialistas apontam que a adaptação econômica costuma ocorrer ao longo de vários anos. Nesse período de transição, setores inteiros podem enfrentar reestruturações profundas.
Empresas que dependem fortemente de conhecimento humano replicável por inteligência artificial estão entre as mais observadas por analistas.
Esse grupo inclui atividades baseadas em análise, produção de informação e suporte especializado.
Enquanto investidores tentam entender o alcance das mudanças, economistas observam que a história mostra um padrão recorrente: novas tecnologias costumam eliminar alguns modelos de negócio, mas também criam setores que ainda não existem no momento em que a transformação começa.














