Criminosos exploraram o sistema de pedágio free flow em São Paulo ao colocar um site falso como primeiro resultado patrocinado no Google, cobrando valores indevidos e ameaçando motoristas com multa e pontos na CNH.
O esquema, que misturava engenharia social, abuso de anúncios pagos e uso de bases de dados reais, simulava um portal oficial de pagamento. Bastava digitar a placa do veículo para que o site exibisse marca, modelo, cor, ano e até número de chassi, criando a sensação de legitimidade e empurrando a vítima para um pagamento imediato.
Quem buscava no Google informações sobre pagamento de pedágio no novo modelo free flow encontrava, no topo da página, um link patrocinado com aparência institucional. O endereço pedia a placa, exigia aceite de termos e, em segundos, apresentava um suposto débito.
A tela era calculada para assustar. Além do valor a pagar, surgia um aviso de prazo curto e a citação da lei de evasão de pedágio, com menção direta à multa e à pontuação na Carteira Nacional de Habilitação. A lógica era simples, pressionar para que o motorista pagasse antes de desconfiar.
O diferencial do golpe estava no uso de informações reais dos veículos. Ao mostrar dados completos, o site criava a sensação de que estava conectado a sistemas oficiais. Segundo especialistas em segurança, esse tipo de abordagem só é possível quando há acesso a bases vazadas ou credenciais comprometidas.
Em 2024, um incidente no sistema de vistorias veiculares ligado ao Detran expôs informações de cerca de 33 milhões de motoristas, incluindo CPF, Renavam, placas e registros fotográficos. Esse material passou a circular em mercados clandestinos e alimenta, até hoje, golpes personalizados.
A mensagem exibida pelo site falso citava sempre o mesmo custo, associado à infração de evasão de pedágio, reforçando o medo de penalidades administrativas.
| Item | Valor ou Consequência |
|---|---|
| Suposto débito de pedágio | R$ 195,23 |
| Pontuação na CNH | 5 pontos |
| Tipo de infração alegada | Evasão de pedágio |
| Ameaça principal | Envio ao Detran |
A repetição do mesmo valor em diferentes consultas indicava que não havia cálculo real de tarifa, apenas um número fixo escolhido por ser alto o suficiente para causar impacto, mas ainda dentro de um patamar que muitas pessoas pagariam para “resolver logo”.
O site fraudulento não dependia apenas de técnicas de SEO. Ele era impulsionado por campanhas no Google Ads, o que o colocava acima dos resultados orgânicos. Para o usuário comum, o rótulo de “patrocinado” não soava como alerta, mas como sinônimo de credibilidade.
Após denúncia, o domínio foi removido e o Google informou que, somente em 2024, mais de 201 milhões de anúncios irregulares foram excluídos e 1,3 milhão de contas de anunciantes suspensas no Brasil, em ações contra fraudes e golpes.
O episódio do falso pedágio free flow deixa um recado claro. Golpistas estão combinando publicidade paga, bases de dados vazadas e linguagem jurídica para criar armadilhas cada vez mais convincentes. No trânsito digital, a pressa é inimiga da verificação. E, diante de cobranças inesperadas, a regra é uma só, parar, conferir e só então seguir em frente.