A Lei nº 15.325/2026 entrou em vigor no Brasil ao reconhecer o influenciador como profissional multimídia e passou a tratar a criação de conteúdo como atividade formal, com impacto direto sobre publis, testes de veículos, lançamentos e recomendações que hoje orientam milhões de decisões de compra no mercado automotivo.
Na prática, o que antes era visto como “opinião de quem gosta de carro” passa a ser enquadrado como prestação de serviço de comunicação. Isso muda a relação entre montadoras, concessionárias, bancos, seguradoras, locadoras e os criadores que ocupam YouTube, Instagram, TikTok e portais especializados. O review deixa de ser apenas entretenimento e passa a ter peso jurídico, fiscal e contratual.
Quem fala de um Fiat, de um Volkswagen ou de qualquer outra marca para um público que confia na recomendação agora é, aos olhos da lei, um profissional com dever de informação e possibilidade real de responsabilização. Prometer consumo irreal, omitir defeitos conhecidos, elogiar um financiamento sem explicar riscos ou divulgar uma “oferta imperdível” sem transparência deixa de ser apenas má prática e passa a ser potencial problema legal.
O impacto é especialmente sensível em três frentes do setor automotivo:
A informalidade que marcou a última década começa a perder espaço. Viagens de lançamento, carros cedidos por longos períodos, cachês atrelados a engajamento e publis sem identificação clara entram em um terreno de maior cobrança. O criador precisa de contrato, CNPJ, nota fiscal, escopo de entrega e, principalmente, coerência entre discurso e realidade.
Isso também afeta o entretenimento automotivo. Canais baseados em desafios, acelerações, modificações extremas e exibição de desempenho passam a ser vistos não só como diversão, mas como influência direta sobre comportamento. Quanto mais profissional é o emissor, maior a expectativa de responsabilidade sobre o que ele estimula.
Há ainda o fator econômico, como revelou a Veja. A lei abre caminho para tributação sistemática da publicidade feita em redes sociais, algo que impacta desde grandes youtubers até perfis médios que vivem de parcerias com concessionárias e oficinas. Produzir conteúdo automotivo passa a exigir estrutura mínima e custos fixos.
| Área | Efeito prático da Lei 15.325/2026 |
|---|---|
| Publis de carros e serviços | Contratos formais e identificação obrigatória |
| Testes e empréstimo de veículos | Termos de responsabilidade e cessão documentada |
| Crédito e seguro | Risco de enquadramento pelo Código do Consumidor |
| Eventos e lançamentos | Prestação de serviço com obrigações fiscais |
Para o público, a tendência é de ganho em qualidade e clareza. Menos marketing travestido de opinião, menos promessa fácil, mais cuidado ao falar de consumo, manutenção, valor de revenda e segurança. O influenciador de carros deixa de ser apenas um entusiasta com audiência e passa a ocupar, formalmente, o papel de agente de comunicação com impacto direto no bolso e na segurança de quem compra.
“O jogo não acabou para quem vive de falar de carro, mas ficou mais caro, mais sério e mais responsável, e isso muda a forma como cada elogio e cada crítica passam a ser encarados por quem está prestes a assinar um financiamento ou escolher o próximo zero-quilômetro” – Opinião do Autor