A Netflix começou 2026 pedindo mais do que atenção do assinante. Em emails enviados de forma gradual a usuários brasileiros, a empresa passou a solicitar CPF e CEP como parte de uma atualização cadastral. A comunicação é oficial e faz parte de um movimento maior, fora da tela e longe do catálogo.
O pano de fundo é a reforma tributária. A fase de testes e adaptação dos sistemas fiscais começou neste ano, antes mesmo de a nova estrutura de impostos entrar plenamente em vigor. O recado chegou agora porque as bases de dados precisam estar prontas antes que a cobrança mude de vez.
Durante anos, serviços digitais operaram com uma lógica simplificada de fiscalização. As empresas emitiam documentos fiscais de forma consolidada, sem identificar cada consumidor individualmente. Esse modelo está com os dias contados. A nova regra exige que cada transação seja vinculada ao CPF do assinante, o que muda a relação entre plataformas digitais e o Fisco.
O CEP entra por outro motivo. A reforma introduz o chamado princípio do destino, pelo qual o imposto deve ficar com o estado e o município onde o serviço é efetivamente consumido, não onde a empresa está sediada. Para o streaming, isso significa saber exatamente onde cada usuário mora quando aperta o play.
Na prática, as autoridades fiscais querem cruzar consumo, território e arrecadação. Saber que o cidadão X, registrado no CPF tal, assiste a um serviço no CEP Y. Não é um capricho burocrático, é o desenho de um novo sistema de controle.
A reação inicial foi previsível. Parte dos usuários desconfiou de golpe, especialmente porque pedidos de CPF costumam acender alertas. A empresa confirmou que os emails são legítimos. O envio está sendo feito em ondas e deve continuar ao longo das próximas semanas.
Quem ignora a mensagem, por enquanto, segue usando a plataforma normalmente. Não há bloqueio imediato nem suspensão automática. Mas a tendência é clara: os dados serão cobrados de novo. As empresas sabem que não dá para entrar em um novo regime tributário com cadastro incompleto.