A Samsung Brasil ampliou no país o programa de troca de smartphones usados por modelos novos da linha Galaxy, consolidando uma mudança relevante no mercado nacional: o aparelho antigo deixou de ser descartado ou repassado a familiares e passou a funcionar como parte central da entrada na compra de um novo dispositivo.
O movimento reflete o aumento consistente dos preços dos smartphones no Brasil, que alterou a relação do consumidor com esses produtos. A troca anual, comum até poucos anos atrás, cedeu espaço a decisões mais planejadas, nas quais o valor residual do aparelho influencia diretamente a escolha do modelo seguinte.
Dados divulgados pela própria empresa indicam que aparelhos Galaxy vêm apresentando maior valor residual em comparação com gerações anteriores. A companhia atribui o resultado à combinação de maior durabilidade física, suporte prolongado de software e evolução contínua de recursos.
A estratégia inclui oferecer até sete anos de atualizações de sistema operacional e segurança em modelos selecionados. Na prática, o ciclo de vida do aparelho se estende, reduzindo a depreciação e mantendo o produto competitivo no mercado de usados.
Segundo a Samsung, cerca de 80% dos compradores de um novo Galaxy possuem smartphones com dois anos de uso ou mais, e aproximadamente 70% optam por entregá-los em programas de recompra. O dado revela que a troca com avaliação do usado já se consolidou como padrão de compra no país.
Levantamentos de parceiros especializados apontam crescimento relevante no valor residual de diferentes gerações. O Galaxy S23 Ultra registrou cerca de 42% de valorização em relação ao S22 Ultra. Já os modelos S24 e S24 FE apresentaram aumento próximo de 57% frente a seus antecessores diretos. O S23 FE teve avanço de aproximadamente 41% em comparação com o S21 FE.
A manutenção de atualizações e melhorias de desempenho via software, incluindo funcionalidades baseadas em inteligência artificial, sustenta esse comportamento. O aparelho continua funcional e atualizado por mais tempo, o que amplia sua atratividade no mercado secundário.
Rafael Aquino, diretor de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil, afirma que a base instalada de smartphones topo de linha cresce como consequência direta da estratégia de oferecer evolução contínua ao longo do ciclo do produto, e não apenas no momento do lançamento.
Ao estender atualizações e preservar desempenho, o fabricante cria um ambiente no qual o usado deixa de ser descarte e passa a ser ativo financeiro.
O paralelo com o setor automotivo tornou-se inevitável. Assim como veículos com manutenção em dia preservam preço de revenda, smartphones atualizados e bem conservados mantêm maior liquidez. O consumidor passou a considerar não apenas design e especificações imediatas, mas também o valor de revenda e o custo total de uso ao longo do tempo.
| Modelo | Valorização em relação ao anterior |
|---|---|
| Galaxy S23 Ultra | 42% |
| Galaxy S24 e S24 FE | 57% |
| Galaxy S23 FE | 41% |
O resultado é uma mudança estrutural no comportamento de compra. O smartphone passa a ocupar o espaço de bem durável, cujo valor de mercado futuro influencia a decisão presente. Nesse cenário, a troca programada deixa de ser impulso e se transforma em cálculo financeiro.