No último dia 29 de junho, publiquei no Carro.Blog.Br uma matéria desmentindo a fake news que afirmava que o novo Fiat Uno 2026 chegaria ao mercado brasileiro por apenas R$ 30 mil. A informação, sem fundamento e fora da realidade do mercado automotivo atual, vinha circulando de forma acelerada nas redes sociais. E, como jornalista, me senti na obrigação de ir atrás da verdade e esclarecer o público.
Pontos Principais:
A repercussão foi imediata. Em poucas horas, milhares de leitores acessaram a matéria, muitos enviaram mensagens agradecendo pelo conteúdo esclarecedor e, como era de se esperar, diversos sites passaram a replicar a pauta. O curioso — e ao mesmo tempo preocupante — é que praticamente nenhum desses veículos mencionou a fonte original da apuração: o Carro.Blog.Br.
Essa prática, infelizmente, é cada vez mais comum na internet. Muitos colegas jornalistas — ou melhor dizendo, profissionais que se dizem jornalistas — agem como replicadores automáticos de conteúdo, sem checar as informações, sem apurar e, pior, sem dar o devido crédito a quem teve o trabalho de investigar e escrever.
Enquanto alguns veículos foram os mesmos que, dias antes, haviam espalhado a informação falsa do Fiat Uno de R$ 30 mil, agora publicam textos afirmando que “isso é fake news”, sem sequer reconhecerem que colaboraram para espalhá-la. É como se estivessem tentando apagar seus rastros, sem assumir qualquer responsabilidade.
O mais frustrante é ver como parte do jornalismo digital se resume a correr atrás de cliques. A preocupação com o impacto social das informações, com a qualidade da apuração e com o respeito ao leitor desaparece diante da ânsia por viralizar conteúdos e gerar tráfego.
Quando decidi escrever a matéria sobre o Fiat Uno, minha intenção não era viralizar. Era, antes de tudo, esclarecer uma dúvida que se espalhava entre consumidores e leitores. Escrevi com base em dados técnicos, fontes confiáveis e na responsabilidade que carrego como jornalista automotivo.
Fico extremamente feliz em saber que milhões de pessoas foram impactadas positivamente por esse conteúdo. Recebi relatos de leitores que estavam prestes a compartilhar a fake news, mas desistiram após lerem a explicação no Carro.Blog.Br. Esse tipo de retorno mostra que o jornalismo ainda tem um papel essencial na sociedade.
Mas também não posso deixar de demonstrar a indignação com o comportamento de alguns portais, que simplesmente copiaram a pauta, publicaram os mesmos dados e conclusões, como se fossem de sua própria autoria, e ignoraram completamente o trabalho de quem trouxe a verdade à tona.
Citar a fonte é o mínimo. É um princípio básico de ética jornalística. Quando isso não é feito, o jornalismo perde força, e a sociedade perde confiança na informação.
A questão vai além de vaidade ou reconhecimento. Trata-se de integridade profissional. Se queremos combater as fake news de verdade, não podemos permitir que a lógica do “copiar e colar” continue ditando o ritmo das redações.
A matéria do Carro.Blog.Br foi amplamente copiada, repercutida em todo o Brasil, mas quase ninguém mencionou a origem da apuração. Isso é ruim, é triste, mas também me mostra que fiz o que precisava ser feito. Mesmo sem crédito, ajudei a combater uma fake news — e no fim, é isso que realmente importa.
Fonte: UOL, Fiat, Fiat e Stellantis.