Acelerando nas rodovias do Brasil, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) colocou suas equipes em campo para enfrentar um dos desafios mais persistentes do país: a criminalidade nas fronteiras. Durante a Operação Fronteira, agentes especializados se deslocaram para áreas estratégicas do Paraná e Mato Grosso do Sul com um objetivo claro: combater o tráfico de drogas, armas, munições e o contrabando. A operação foi encerrada no último domingo (23), após mais de uma semana de ações intensivas.
Pontos Principais:
A Tríplice Fronteira, composta pelas divisas entre Brasil, Paraguai e Argentina, foi um dos principais focos da operação. Além dessa região, a PRF também intensificou a fiscalização na fronteira com a Bolívia. Essas áreas são conhecidas pela grande movimentação de ilícitos, favorecida pela extensa malha viária e pela existência de trilhas alternativas, os chamados “desvios”, que dificultam a ação policial. O trabalho da PRF foi realizado em parceria com diversas unidades especializadas e utilizou tecnologia e inteligência para aprimorar as abordagens.
Com resultados expressivos, a operação resultou na apreensão de toneladas de entorpecentes, grandes quantidades de cigarros contrabandeados e na recuperação de veículos roubados. Além disso, a PRF prendeu dezenas de pessoas envolvidas em diferentes atividades criminosas. Os números evidenciam a complexidade da situação e a necessidade contínua de ações coordenadas para reduzir a influência do crime organizado nas rodovias federais.
A Operação Fronteira teve início no dia 14 de fevereiro e mobilizou equipes especializadas da PRF, como o Núcleo de Operações Especiais (NOE), o Grupo de Operações com Cães (GOC) e os Grupos de Patrulhamento Tático (GPT). Além das ações ostensivas, houve trabalho de inteligência para identificar rotas utilizadas pelo crime organizado e planejar abordagens estratégicas.
Durante os dias de fiscalização, foram realizadas barreiras policiais e patrulhamentos em diferentes pontos das rodovias federais que cortam as áreas de fronteira. Os agentes utilizaram cães farejadores, equipamentos de escaneamento e veículos preparados para interceptações. O objetivo foi impedir que cargas ilegais atravessassem o país e retirar de circulação produtos ilícitos antes que chegassem aos grandes centros urbanos.
A atuação da PRF se estendeu para além das rodovias. Foram realizadas fiscalizações em postos de combustíveis, terminais de transporte e até mesmo em estradas vicinais, conhecidas por serem utilizadas como rotas alternativas por contrabandistas e traficantes. A cooperação entre diferentes forças de segurança também foi um dos pontos-chave para o sucesso da operação.
Os números da Operação Fronteira demonstram a relevância das ações para a segurança pública. Ao todo, foram apreendidas 18,3 toneladas de drogas, com destaque para a maconha, substância frequentemente traficada pela fronteira com o Paraguai. Além disso, mais de um milhão de maços de cigarros contrabandeados foram interceptados pelas equipes da PRF.
A operação também resultou na recuperação de 34 veículos roubados e na prisão de 155 pessoas por diferentes crimes, incluindo tráfico de drogas, contrabando e descaminho. Ao longo dos dias de fiscalização, mais de 19 mil veículos foram abordados e verificados pelos agentes, reforçando o caráter abrangente da ação.
A PRF destaca que operações como essa são essenciais para conter a criminalidade nas fronteiras, especialmente considerando que Mato Grosso do Sul e Paraná são responsáveis por uma parcela significativa das apreensões de drogas no Brasil. Em 2024, por exemplo, esses estados concentraram 65% de todas as apreensões de maconha, cocaína e derivados feitas pela corporação no país.
O Brasil possui cerca de 17 mil quilômetros de fronteira terrestre com 10 países da América do Sul. Essa extensão atravessa 11 estados e 588 municípios, abrangendo aproximadamente 27% do território nacional. A vastidão e a diversidade do território representam desafios para a fiscalização, exigindo vigilância constante e cooperação entre as forças de segurança.
O contrabando e o tráfico de drogas são problemas recorrentes na Tríplice Fronteira e na fronteira com a Bolívia. As rotas utilizadas pelo crime organizado são beneficiadas pela infraestrutura viária, que permite o escoamento rápido das cargas ilícitas para diferentes partes do país. Além disso, as inúmeras trilhas clandestinas dificultam o monitoramento contínuo.
Embora haja esforços internacionais para reduzir a produção de drogas e desviar a cultura de cannabis para fins industriais e farmacêuticos, o Paraguai continua sendo o maior produtor de maconha para uso recreativo da América do Sul. Essa realidade reforça a necessidade de operações frequentes para evitar que grandes carregamentos entrem no Brasil e abasteçam redes criminosas.
A PRF destaca que operações como a Fronteira são fundamentais para reduzir a criminalidade e impedir que produtos ilícitos circulem pelas rodovias federais. A cooperação entre diferentes órgãos de segurança pública, incluindo forças estaduais e federais, é um fator determinante para o sucesso das ações.
Nos próximos meses, a PRF deve intensificar as fiscalizações em áreas estratégicas e continuar investindo em tecnologia para aprimorar o monitoramento das rodovias. O uso de drones, câmeras de alta resolução e sistemas de rastreamento são algumas das ferramentas que vêm sendo incorporadas às operações.
Apesar dos desafios, os resultados alcançados na Operação Fronteira demonstram o impacto das ações de fiscalização na redução da circulação de drogas, armas e produtos contrabandeados. O trabalho da PRF segue em andamento, com o compromisso de fortalecer a segurança nas estradas e nas fronteiras brasileiras.
Fonte: Gov.Br.