O Hyundai Creta se consolidou como um dos SUVs compactos mais relevantes do país desde 2016, quando estreou prometendo espaço interno amplo, bom nível de conforto e motores flex competentes. O sucesso foi imediato, mas o acúmulo de quilometragem e a chegada de novas gerações revelaram uma série de problemas recorrentes relatados por proprietários nas duas fases do modelo. Direção elétrica, ar-condicionado, bateria, faróis e até o motor 1.0 turbo passaram a compor um histórico que merece atenção de quem já possui ou pretende comprar o utilitário.
Com o facelift de 2021, o Creta ficou mais sofisticado por dentro, ganhou assistências de condução e adotou a motorização 1.0 TGDI de injeção direta, que trouxe novos pontos de reclamação. Ao mesmo tempo, versões com os antigos 1.6 e 2.0 continuaram em linha e também acumularam queixas envolvendo durabilidade de componentes. A soma desses relatos permitiu mapear um padrão de defeitos que afeta desde itens simples, como bateria, até sistemas críticos, como freios.
O resultado desse conjunto é um panorama amplo que mistura qualidades reconhecidas pelo público com falhas repetidas ao longo dos anos. A seguir, a análise completa dos problemas mais comuns observados no Creta, dos impactos no uso diário e do que pode ser esperado para o futuro do SUV no mercado brasileiro.
A coluna de direção é um dos pontos mais sensíveis das primeiras gerações do Creta. Proprietários relatam estalos, ruídos metálicos e falhas no módulo responsável pela direção elétrica, em alguns casos exigindo longos períodos na concessionária. A repetição das queixas indica que o sistema apresenta desgaste precoce, especialmente em unidades mais antigas e com uso intenso em centros urbanos.
O ar-condicionado desponta como outro elemento problemático. Muitos donos relatam que o equipamento deixa de gelar ou simplesmente para de funcionar, às vezes com poucos meses de uso. O defeito tende a se repetir e costuma levar à substituição do evaporador. Em casos mais graves, a corrosão do componente provoca vazamentos e contaminação do fluido de arrefecimento, comprometendo o funcionamento do motor.
No conjunto estrutural, o evaporador é justamente um dos itens com maior incidência de problemas. Há registros de corrosão prematura, vazamentos internos e até danos ao motor decorrentes de superaquedecimento provocado por falha no sistema de arrefecimento. Embora parte das ocorrências tenha sido solucionada, a reincidência sugere um ponto frágil no projeto.
Outro problema recorrente é a infiltração nos faróis, que passam a embaçar ou acumular umidade com baixa quilometragem. Em diversos atendimentos, concessionárias consideraram o defeito fora da garantia, gerando insatisfação prolongada entre os proprietários.
A bateria original é um dos itens mais citados nas reclamações. Muitos proprietários relatam descargas frequentes, mesmo com uso normal e revisões em dia. O comportamento é observado principalmente nas versões mais completas, que carregam maior número de equipamentos elétricos. A falta de resistência da bateria leva a panes inesperadas, acende alertas no painel e gera substituições precoces.
Além da bateria, há relatos de falhas em módulos eletrônicos que afetam o funcionamento do volante, do ar-condicionado e até de sensores do veículo. Esses problemas costumam ocorrer em carros com menos de dois anos, o que reforça a percepção de fragilidade no sistema elétrico do Creta.
Em alguns casos, a dificuldade de encontrar peças agrava a situação. Proprietários relatam longos períodos de veículo parado aguardando itens simples, como bicos injetores, módulos de direção e componentes do sistema de ar frio. Esse cenário aumenta custos e gera insegurança para quem depende do carro no dia a dia.
O conjunto de reclamações indica um padrão de desgaste acelerado em itens elétricos e eletrônicos, especialmente em unidades submetidas a uso urbano intenso e tráfego pesado, ambiente que tende a exigir mais do sistema elétrico.
A partir de 2021, o Creta passou a adotar o motor 1.0 turboflex de injeção direta, que rapidamente se tornou o centro das críticas mais severas. A combinação de bicos injetores sensíveis, combustível de qualidade duvidosa e maior complexidade técnica resulta em perda de potência, falhas repentinas e desligamento do motor em movimento. Esses relatos se tornaram frequentes no pós-venda e em plataformas de atendimento ao consumidor.
A injeção direta trabalha com pressão elevada e componentes mais delicados, o que exige combustível de melhor procedência para evitar entupimento e desgaste prematuro. Em vários casos, proprietários precisaram aguardar semanas pela substituição de bicos injetores, o que expõe outro problema: falta de peças em estoque. Quando o defeito retorna, a manutenção se torna mais cara e demorada.
O comportamento inconsistente do motor compromete a confiabilidade do veículo, especialmente para quem depende do Creta em longos deslocamentos ou viagens. A reincidência do problema, mesmo após reparos repetidos, gera insegurança e aumenta o risco de panes em trânsito.
Essa situação difere do histórico das versões aspiradas 1.6 e 2.0, que são reconhecidas por boa durabilidade e baixa taxa de falhas críticas. O contraste evidencia que a nova motorização turbo ainda enfrenta um período de amadurecimento em campo.
Entre os registros mais preocupantes estão os relatos de falhas nos freios. Em alguns casos, o pedal endurece e deixa de responder, o que leva o veículo a avançar sem desaceleração. Há situações descritas em que o sistema trava as rodas ou se torna inoperante, exigindo manobras de emergência para evitar colisões. A gravidade desses episódios coloca o problema como um dos mais críticos da linha.
Especialistas apontam que, se confirmado como defeito recorrente, esse tipo de falha deveria motivar uma investigação aprofundada e até um recall. O único chamado oficial do modelo ocorreu em 2020, quando a Hyundai substituiu o cilindro mestre de unidades fabricadas em março daquele ano. Esse histórico limitado contrasta com a quantidade de relatos recentes envolvendo o sistema de frenagem.
A resposta oficial da empresa costuma classificar os casos como pontuais e reafirmar que o pós-venda acompanha cada ocorrência. A montadora diz implementar melhorias contínuas, mas não detalha correções específicas. Para parte dos proprietários, entretanto, a falta de transparência aumenta a sensação de insegurança.
O acúmulo de queixas forma um quadro de atenção sobre o comportamento dos freios, principalmente em unidades equipadas com o motor 1.0 turbo, que concentra boa parte das reclamações mais graves.
Fonte: Reclameaqui, Mobiauto e AutoEsporte.