“O Celta é quase uma ferramenta com rodas, não tenta impressionar e raramente complica o trabalho da oficina, porém o preço atual exige uma unidade bem cuidada, porque economia de projeto não corrige abandono de manutenção.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo
O Chevrolet Celta LT 1.0 2016 saiu de linha há anos, mas continua ocupando espaço nos classificados com preços entre R$ 35 mil e R$ 40 mil (Código Fipe: 004321-4), valor que parece alto para um carro tão simples, porém acompanha a busca por modelos conhecidos, baratos de consertar e fáceis de revender. Não há luxo ou tecnologia escondida nessa conta, há um hatch pequeno que muita oficina conhece de memória e que ainda resolve a rotina de quem precisa trabalhar, estudar ou atravessar a cidade todos os dias.
A valorização não veio porque o Celta ficou mais moderno, veio porque os carros populares novos ficaram mais caros e deixaram um espaço enorme abaixo dos R$ 50 mil. Nesse mercado, uma unidade conservada, com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas, airbags frontais e freios ABS, ganha força mesmo carregando um projeto antigo, acabamento duro e poucos recursos de conforto.
O motor 1.0 flex entrega até 78 cv e trabalha com câmbio manual de cinco marchas, conjunto que não empolga, mas conversa bem com os 890 kg do carro. No trânsito, o Celta sai sem dificuldade, muda de direção com rapidez e cabe em vagas apertadas, enquanto na estrada mostra suas limitações, sobretudo em ultrapassagens, subidas e viagens com quatro pessoas e bagagem.
O desempenho explica por que ele sempre foi tratado como carro de cidade, a aceleração de 0 a 100 km/h leva 13,4 segundos e a velocidade máxima chega a 161 km/h, mas esses números importam menos do que a forma como ele se comporta no dia a dia. Com pouca carga, acompanha o trânsito sem drama, com o carro cheio, exige redução de marcha e paciência para ganhar velocidade.
O consumo permanece entre os motivos que sustentam sua procura, com médias de 7,6 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada com etanol, além de 10,7 km/l no uso urbano e 12,8 km/l em rodovia com gasolina. O tanque de 54 litros permite chegar a até 691 km de autonomia em estrada, distância suficiente para longos deslocamentos sem transformar cada viagem em uma sequência de paradas no posto.
Por fora, os 3,78 metros de comprimento ajudam em ruas estreitas e estacionamentos, por dentro, os 2,44 metros de entre-eixos deixam claro que o espaço foi economizado. Dois adultos viajam bem na frente, o banco traseiro aperta pernas e ombros, enquanto o porta-malas de 260 litros recebe compras e malas pequenas, mas obriga a escolher o que fica em casa quando a família decide viajar.
A cabine oferece o necessário para o período em que o carro foi vendido, com ar-condicionado, ar quente, conta-giros, banco traseiro rebatível, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro. Não há controle de estabilidade, central multimídia moderna ou assistentes de condução, diferença que pesa quando o Celta é comparado com compactos mais recentes.
A fama de manutenção barata não significa que qualquer unidade será econômica, porque um carro de 2016 pode carregar amortecedores cansados, embreagem no fim, freios gastos, vazamentos e falhas no sistema de arrefecimento. Peças são fáceis de encontrar e a mecânica é conhecida, mas a conta cresce quando o antigo dono adiou reparos, principalmente em exemplares usados diariamente em trânsito pesado ou com quilometragem elevada.
A suspensão usa sistema McPherson na dianteira e eixo de torção atrás, os freios têm discos na frente e tambores na traseira, enquanto os pneus 165/70 R13 continuam baratos em relação a medidas maiores. O preço só se sustenta quando carroceria, motor, câmbio, suspensão e documentação estão em ordem, porque uma unidade negligenciada pode consumir em poucos meses o dinheiro economizado na compra.