Lançado no Brasil no início da década de 1990, o Chevrolet Vectra GSi se consolidou como um dos sedãs esportivos mais marcantes da indústria nacional. Com visual discreto, desempenho acima da média e tecnologias inéditas para a época, tornou-se referência de status e performance.
Derivado do Vectra europeu, o modelo chegou para substituir o veterano Monza, assumindo o papel de carro médio moderno e bem equipado. Na versão GSi, a proposta era ir além: unir conforto de um sedã familiar à agilidade de um esportivo de respeito.
Sua história é marcada por números expressivos nos testes da época e por um conjunto mecânico robusto, com motor alemão de 16 válvulas e 150 cv. Mesmo mais de 30 anos depois, segue como ícone cultuado por colecionadores e admiradores do automobilismo brasileiro.
O Vectra GSi surpreendeu já em seus primeiros testes. Com velocidade máxima de 207,7 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 9,22 segundos, foi considerado o carro nacional mais veloz e rápido já avaliado por publicações especializadas até então. O motor 2.0 16V, importado da Alemanha, entregava 150 cv e 20,0 mkgf de torque, garantindo potência específica de 75,1 cv por litro.
A injeção eletrônica sequencial Bosch Motronic M.2.8 oferecia maior precisão na mistura ar-combustível, resultando em bom desempenho aliado a consumo médio de 11,91 km/l. As relações de marcha eram mais curtas que nas versões convencionais, reforçando a vocação esportiva.
Freios a disco nas quatro rodas, com ABS, completavam o pacote de segurança. Durante um teste prático, o carro conseguiu parar de forma estável mesmo em uma frenagem brusca a 100 km/h, sem perder o controle da direção.
Visualmente, o GSi se diferenciava mais pela sutileza do que pelo exagero. As rodas de liga leve, pneus de perfil baixo e apêndices aerodinâmicos compunham o conjunto, junto a um defletor discreto na tampa do porta-malas. O coeficiente aerodinâmico de 0,29 contribuía para o desempenho em alta velocidade.
Por dentro, destacava-se pela boa ergonomia, com volante de boa pegada e instrumentos bem posicionados. Embora não tivesse computador de bordo, oferecia acabamento de qualidade, com bancos de couro vendidos como acessório em concessionárias.
Além disso, o teto solar era oferecido como opcional, reforçando a imagem premium da versão. O conjunto equilibrava esportividade e discrição, algo raro entre os modelos nacionais da época.
No cenário nacional, o Vectra GSi tinha como principal rival o Fiat Tempra 16V, outro sedã esportivo pioneiro no Brasil. Apesar da boa disputa, o modelo da Chevrolet conquistou vantagem em velocidade máxima, aceleração e eficiência, perdendo apenas em retomada e nível de opcionais.
O carro rapidamente se tornou símbolo de status, vencendo a eleição “Carro do Ano” de uma das mais tradicionais publicações automotivas do país em 1994, com vitória em cinco dos oito quesitos avaliados. Seu sucesso consolidou a presença da sigla GSi na linha Chevrolet, que se expandiu para outros modelos, como o Kadett e o Corsa.
No entanto, a chegada da segunda geração do Vectra, em 1996, marcou o fim da versão esportiva no Brasil. Sem substituto direto, o segmento de sedãs esportivos nacionais ficou órfão até a chegada do Fiat Marea Turbo, em 1999.
Hoje, o Vectra GSi é peça rara no mercado de clássicos nacionais. Proprietários, como o designer Luiz Fernando Wernz, preservam seus exemplares quase originais, mantendo-os para uso eventual e encontros de colecionadores. O modelo ainda chama atenção pelo desempenho, especialmente pelo comportamento do motor após os 4.000 rpm, quando entra o segundo estágio do corpo de borboleta.
O legado do GSi vai além da ficha técnica: representa um momento em que a indústria brasileira ousou oferecer um sedã com pegada de esportivo europeu, sem abrir mão do conforto e da sobriedade. No cenário atual, com a predominância de SUVs e foco em eficiência energética, dificilmente veremos algo semelhante produzido em série no país.
O futuro dos sedãs esportivos nacionais parece distante, mas a história do Vectra GSi mantém viva a memória de quando o prazer de dirigir e a exclusividade eram prioridades no mercado brasileiro.
Fonte: Fipe.