A história do motor AP

O motor AP tem uma longa história no Brasil. Seu baixo custo de manutenção e a facilidade na reposição das peças foram os fatores que proporcionaram a abundância desse item no mercado nacional.

História
8 meses atrás
A história do motor AP

O motor de combustão interna era caracterizado pelo bloco em ferro fundido, 4 cilindros em linha, cabeçote de alumínio com comando de válvulas e a refrigeração a água. Foi comercializado nas cilindradas 1600, 1800 e 2000.

Origem do motor AP

O motor AP ficou mundialmente famoso, e por causa da sua robustez e do custo baixo da manutenção – o que se devia à produção em larga escala – durou várias décadas. Mas o que não é tão conhecido é que sua origem se deve a um antigo projeto militar da Mercedes-Benz.

No ano de 1958, a Daimler-Benz comprou quase 90% da Auto Union, marca fundada em 1932 com a fusão das empresas Audi, Wanderer, Horch e DKW. O objetivo da aquisição eram os compactos modelos da DKW, que faziam sucesso na Alemanha pós guerra.

Mas a economia estava em franca ascensão, e a demanda por carros melhores começavam a se fazer sentir. Ludwig Krauss foi a pessoa escolhida para iniciar o projeto, do qual nasceram os motores 1.5 boxer e o 1.7 de quatro cilindros em linha.

Mas a DKW continuava insistindo nos velhos motores de dois tempos fumacentos que exigiam óleo misturado na gasolina. Mas esses motores não paravam de apresentar problemas, e em 1962 a Mercedes se viu na contingência de enviar Krauss para encontrar uma solução.

Audi F103 (foto: divulgação)
Audi F103 (foto: divulgação)

Um sucesso parcial foi obtido, mas os motores continuavam mostrando um desempenho ruim, produzindo apenas 60 cv de potência. Foi então que surgiu a ideia de recorrer ao 1.7 de quatro cilindros. Surgia então o Audi F103, que posteriormente ficou conhecido com Audi 72, pois produzia 72 cv de potência.

Logo surgiriam os Audi 80 e Audi Super 90. Seguindo a linha cronológica, o Audi 80 é o pai do primeiro Passat, que nascia em 1973 na Europa e chegaria ao Brasil no ano seguinte.

Evoluções ao longo do tempo

O motor refrigerado a água teve um grande impacto no mercado automobilístico brasileiro, tendo sido estreado no Passat em 1973. A sua concepção contrariava o próprio slogan da Volkswagen na época, que dizia “ar não ferve”, fazendo alusão a seus motores Boxer, que eram refrigerados a ar.

Em 1976, foi lançada a versão 1.6, que passou a ser chamada de BS, e que equipava o Passat TS. Em 1983 foi lançado o motor MD-270, que tinha recebido alterações na taxa de compressão, com novos comando de pistões e um carburador de corpo duplo e ignição eletrônica. Também esse era refrigerado a água.

Passat 1973 (foto: divulgação)
Passat 1973 (foto: divulgação)

Apenas em 1985 esse motor passou a ser chamado de AP. Este motor equipou o primeiro Passat GTS Pointer, Gol GT e Santana, e pouco tempo depois toda a linha VW. Nesse momento a cilindrada do motor era 1800.

Em 1989 viria o AP 2000, que equipava Gol GTI, por isso as versões AP 600 e AP 800 seriam rebatizadas de AP 1600 e AP 1800, enquanto do de 2000 cilindradas seria o AP 2000. Foi nessa época que as bieletas cresceram de 136mm para 144mm, diminuindo a vibração dentro do carro.

Santana 1985 (foto: divulgação)
Santana 1985 (foto: divulgação)

Um novo motor na Volkswagen

Apesar do enorme sucesso do motor AP, a Volkswagen precisava melhorar sua tecnologia para não parar no tempo. Assim, em 1995 nasceu o motor EA837. Nascia uma nova geração de motores que competiriam com os motores AP. Esses novos motores se caracterizavam pelos blocos de 259mm e bielas de 159mm, que reduziam a vibração do carro, proporcionando mais conforto para os ocupantes.

Esse motor passou a equipar o modelo Golf GLX e GTI já em 1995, e os modelos Golf IV, Audi A3 nacional, os espanhóis Seat Cordoba, Ibiza e Vario, de 1999 até 2001. Mais tarde, a partir de 2002, também o Polo hatch e sedan. Em 2009 ele se tornou flex, e entre 2011 e 2015 equipou o Jetta.

Seat Cordoba 1995 (foto: divulgação)
Seat Cordoba 1995 (foto: divulgação)

Assim, o motor da família EA conviveu com o motor AP até 2012, quando encerrou a produção da Parati e ele foi descontinuado. Assim, a Saveiro e a Parati foram os últimos modelos a receberem o motor AP, nas versões 1.6 e 1.8.

Parati 2012 (foto: divulgação)
Parati 2012 (foto: divulgação)

Porque o motor AP é tão famoso?

Hoje é difícil entender porque o motor AP é tão famoso ainda em nossos dias. Além desse motor ser um grande avanço em seu tempo, ele tem algumas qualidades que o torna muito querido. Uma dessas características é a facilidade com que ele pode ser “preparado”, ou seja, receber uma “turbinação caseira”.

Como o motor AP é feito para suportar uma taxa de compressão, ele pode receber alguns “ajustes” para entregar mais potência. A facilidade para encontrar peças – especialmente pistões e bielas – e a versatilidade o tornam um dos motores mais requisitados para esse tipo de uso.

Dependendo da preparação, o motor AP pode render até 1mil cavalos. Esse número é impressionante se considerarmos que ao longo de sua existência a família AP tenha produzido em torno de 100 cv apenas. Claro que para isso o motor recebe diversas modificações, mas é sempre o motor AP o coração dessa engenharia.

Motor AP Total Flex (foto: divulgação)
Motor AP Total Flex (foto: divulgação)

Algumas curiosidades sobre o motor AP

Uma das curiosidades do motor AP é que ele foi o primeiro motor flex que teve no Brasil, o que aconteceu em março de 2003 com o modelo Gol 1.6 Total Flex. A potência desse modelo girava em torno dos 100 cv.

Foi também um motor AP que recebeu pela primeira vez o sistema de injeção eletrônica no país, e isso aconteceu no ano de 1988, com o modelo Gol GTI, que foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo naquele ano.

Esse motor é tão bom, que até hoje os motores Audi têm o motor AP como base. Não é dizer que eles ainda são utilizados nos modelos da marca, mas sim que os motores mais recentes possuem diversas semelhanças com o AP, herança do lendário motor.

Gol GTI 1988 (foto: divulgação)
Gol GTI 1988 (foto: divulgação)

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